Ministro ameaça enviar projeto com urgência para reduzir carga horária semanal dos trabalhadores
Ministro Luiz Marinho ameaçou enviar projeto com urgência ao Congresso se as discussões sobre jornada de trabalho não avançarem. O objetivo é reduzir carga horária semanal dos trabalhadores, atualmente estabelecida em 44 horas. Uma PEC tramita no Congresso para aumentar o descanso mínimo e diminuir a carga máxima
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, ameaçou enviar um projeto de lei com urgência ao Congresso Nacional se as discussões sobre jornada de trabalho não avançarem no ritmo desejado. O objetivo é reduzir a carga horária semanal dos trabalhadores.
Marinho destacou que a prioridade do governo é diminuir o tempo máximo de trabalho semanal, atualmente estabelecido em 44 horas. "Nesta fase, eu acredito sinceramente que é plenamente possível reduzir para 40 horas", disse ele durante entrevista aos jornalistas.
Uma das Propostas de Emenda à Constituição (PECs) tramitando no Congresso visa aumentar o descanso mínimo semanal e diminuir a carga horária máxima. A PEC prevê que os trabalhadores terão direito a dois dias de folga por semana, preferencialmente aos sábados e domingos.
Marinho também reiterou sua posição contra compensações fiscais às empresas como contrapartida para as mudanças na jornada de trabalho. "O pressuposto para a compensação é o aumento da produtividade", afirmou ele, acrescentando que não faz sentido pensar em incentivos fiscais apenas por causa da redução da jornada parcial.
A discussão sobre a jornada de trabalho ganhou destaque após as últimas estatísticas do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O Brasil apresentou saldo positivo de 112.334 novos postos de trabalho em janeiro, mas o resultado foi considerado pobre pelo ministro.
"O ritmo dos juros altos [Selic] está afetando a criação de empregos", disse Marinho, referindo-se à taxa atualizada para 15% ao ano. Ele destacou que os quatro setores com melhor desempenho em janeiro foram indústria, construção civil, serviços e agropecuária.
O salário médio real de admissão foi de R$ 2.289,78 em janeiro deste ano, o que representa uma variação positiva de R$ 77,02 em relação a dezembro do ano passado.