Mulheres receberam a maioria dos votos nominais em apenas quatro locais de votação em São Paulo
Mulheres foram as candidatas mais votadas para deputada federal em apenas quatro dos 2.048 locais de votação de São Paulo no primeiro turno de 2022. Dados do TSE mostram que o Colégio Vera Cruz teve o maior índice de votos femininos (54,03%), enquanto o CDP de Pinheiros III registrou 100% de votos em homens
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Candidatas a deputada federal receberam a maioria dos votos nominais em apenas quatro dos 2.048 locais de votação da cidade de São Paulo durante o primeiro turno das eleições de 2022. Nos demais pontos da capital, a preferência do eleitorado concentrou-se em candidatos homens.
Os dados, extraídos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e organizados pela plataforma Marias do Bairro, do grupo Girl Up Brasil, excluem votos brancos, nulos ou em legenda. No pleito de 2022, o estado de São Paulo contou com 1.458 candidatos ao cargo, dos quais 450 eram mulheres.
Disparidades geográficas e socioeconômicas
O levantamento aponta contrastes acentuados entre as zonas de votação. O Colégio Vera Cruz, na Vila Ida, registrou o maior índice de votos femininos, com 54,03%. Em seguida, aparecem o Colégio Santa Cruz, no Alto de Pinheiros (49,19%), e o Colégio Horizontes, na Vila Madalena (49,14%).
No extremo oposto, o Centro de Detenção Provisória de Pinheiros III, na Vila Leopoldina, teve 100% de seus 20 votos nominais destinados a homens. Índices baixos de votação feminina também foram registrados na E.E. Vicentina Aparecida Tamborino, no Jardim Varginha (8,90%), e na E.E. Prof. Jesus José Attab, em Parelheiros (8,35%).
Esses locais apresentam perfis socioeconômicos distintos, conforme o Mapa da Desigualdade 2025 do Instituto Cidades Sustentáveis:
| Distrito | Renda Média Mensal (Formal) | População Preta ou Parda | População (0 a 29 anos) |
|---|---|---|---|
| Alto de Pinheiros | R$ 8.115,83 | 8,1% | 25,03% |
| Pinheiros | R$ 5.945,02 | 11,1% | 24,04% |
| Parelheiros | R$ 2.715,41 | 56,6% | 47,08% |
| Grajaú | R$ 2.555,03 | 56,8% | 45% |
Embora as diferenças sejam claras, o estudo ressalta que esses dados não comprovam que a renda ou a demografia determinem o comportamento eleitoral, pois não foram analisados o perfil das candidatas nem a distribuição das campanhas por região.
Representatividade e barreiras partidárias
A sub-representação feminina reflete-se na composição da Câmara dos Deputados, onde mulheres ocupam cerca de 18% das 513 cadeiras, apesar de representarem mais de 51% da população brasileira.
Daniela Costa, gerente de Redes e Advocacy da Girl Up Brasil, atribui esse cenário a fatores estruturais e históricos, destacando a desigualdade interna nos partidos políticos. A gestão do fundo eleitoral, os processos de recrutamento e o treinamento interno são apontados como gargalos que limitam as chances reais de eleição das mulheres.
A gestora defende a necessidade de ampliar a diversidade no Congresso, incluindo mulheres negras, indígenas, jovens, com deficiência e residentes de periferias, para que vivências específicas e problemas historicamente negligenciados passem a integrar o debate político.
Monitoramento eleitoral
A plataforma Marias do Bairro disponibiliza a consulta de votação para a Câmara dos Deputados e o Senado em cada seção eleitoral, município e estado do país, utilizando microdados do TSE de mais de 92 mil locais de votação.
A ferramenta visa democratizar o acesso a informações complexas para estimular o diálogo comunitário sobre a importância da representação feminina na política. Atualmente, a capital paulista possui 2.048 locais de votação e 26.686 seções, com um eleitorado apto para 2026 de 9.135.407 pessoas, o que corresponde a 26,7% do total estadual.