Política

Novo projeta candidatura de Romeu Zema à Presidência para consolidar alternativa de direita ao bolsonarismo

13 de Junho de 2026 às 06:09

O partido Novo projeta a candidatura de Romeu Zema à Presidência em 2026 e planeja ampliar sua bancada federal para ao menos 12 integrantes. A legenda prevê utilizar R$ 37 milhões adicionais do Fundo Eleitoral para viabilizar chapas completas na maioria dos estados. Para superar a cláusula de barreira, a sigla mantém alianças com o PL

Novo projeta candidatura de Romeu Zema à Presidência para consolidar alternativa de direita ao bolsonarismo
LEANDRO CHEMALLE/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

O partido Novo projeta a candidatura de Romeu Zema à Presidência da República como a base para consolidar uma alternativa de direita distinta do bolsonarismo. No entanto, a legenda mantém a dependência de alianças com o PL, especialmente sob a influência de Flávio Bolsonaro, para expandir suas bancadas e superar a cláusula de barreira. Para garantir acesso ao tempo de propaganda e aos recursos do Fundo Partidário, o partido precisa eleger ao menos 13 deputados federais em nove estados ou atingir 2,5% dos votos válidos nacionais, distribuídos em ao menos nove estados com um mínimo de 1,5% em cada.

Eduardo Ribeiro, presidente da legenda, afirma que a sigla chega ao pleito de 2026 com maior robustez financeira e política. A mudança de estratégia ocorreu após o partido decidir utilizar os Fundos Partidário e Eleitoral, prática abandonada nos ciclos de 2018 e 2022. Essa nova abordagem refletiu no crescimento expressivo nas eleições municipais de 2024, saltando de um único prefeito e 35 vereadores em 2020 para 19 prefeitos, 36 vice-prefeitos e 264 vereadores.

Para a disputa seguinte, o Novo contará com um acréscimo de R$ 37 milhões do Fundo Eleitoral, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com esse montante, a meta é apresentar nominatas completas — com candidatos a governador, vice e deputados estaduais — na maioria das unidades da federação. Na Câmara dos Deputados, onde possui cinco parlamentares, a legenda planeja elevar a bancada para no mínimo 12 integrantes, com a possibilidade de atingir entre 15 e 20 deputados caso a competitividade de Zema cresça.

Apesar da aposta no nome de Zema, a postura do ex-governador de Minas Gerais gerou tensões internas. Ao classificar como "imperdoável" a conduta do senador Flávio Bolsonaro em mensagens e áudios sobre pagamentos de um filme sobre Jair Bolsonaro, Zema causou mal-estar em diretórios estaduais que dividem palanques com o PL. Em Santa Catarina, o partido integra a chapa do governador Jorginho Mello (PL) e do vice Adriano Silva. No Paraná, a aliança envolve o senador Sergio Moro e o ex-deputado Deltan Dallagnol. Já no Rio Grande do Sul, o deputado federal Marcel Van Hattem é pré-candidato ao Senado na chapa de Luciano Zucco (PL).

As instâncias regionais do Paraná e de Santa Catarina emitiram notas definindo a fala de Zema como "precipitada", termo também utilizado por Flávio Bolsonaro. Após a pressão interna, Zema suavizou as críticas ao senador e redirecionou seus ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Embora a moderação tenha estabilizado as alianças, Zema não registrou avanço em pesquisas. No levantamento mais recente da Quaest, ele aparece empatado com Ronaldo Caiado (PSD) e atrás de Renan Santos (Missão), que detém 3% das intenções de voto. Renan, apesar de se identificar com a direita, mantém críticas severas a Flávio Bolsonaro. Internamente, o Novo reconhece a convergência com o partido Missão em pautas morais e no combate à corrupção, prevendo alinhamento em votações legislativas, mas a orientação oficial é preservar o pragmatismo e manter a relação com o bolsonarismo até 2026.

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