Parlamentares dos Estados Unidos exigem que a Meta explique disparidade no tratamento de campanhas brasileiras
Treze parlamentares dos Estados Unidos cobraram de Mark Zuckerberg explicações sobre a disparidade no tratamento das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro nas plataformas da Meta. O grupo questiona restrições de anúncios e falhas na moderação de conteúdo, enquanto a empresa implementou medidas para cumprir multas do TSE. Os congressistas solicitaram respostas por escrito até 4 de novembro e a possibilidade de *auditoria independente
Treze parlamentares dos Estados Unidos enviaram, nesta quinta-feira (22), um documento ao CEO da Meta, Mark Zuckerberg, exigindo esclarecimentos sobre a disparidade no tratamento dado às campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) durante o processo eleitoral brasileiro. O grupo de senadores e deputados argumenta que as big techs devem assegurar a isonomia na distribuição e recomendação de conteúdos em contextos democráticos.
Restrições e falhas na moderação
A cobrança dos congressistas americanos baseia-se em episódios recentes, como a recusa da inteligência artificial do WhatsApp em gerar imagens para a campanha de Lula, enquanto solicitações similares para Flávio Bolsonaro eram aceitas. Além disso, a carta detalha a desativação da conta de anúncios de Lula no Facebook em 23 de setembro, ocorrendo 11 dias antes do primeiro turno.
Outro ponto destacado foi a limitação no Instagram entre 9 e 10 de outubro, que impediu o impulsionamento de publicações por quase 24 horas. De acordo com a campanha petista, essa interrupção resultou em uma perda de alcance de aproximadamente 1,3 milhão de pessoas.
Sanções do TSE e resposta da Meta
O imbróglio já resultou em punições no Brasil. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aplicou uma multa à Meta na quinta-feira (15) para exigir a igualdade de tratamento entre os candidatos. Devido ao descumprimento da ordem, a Corte dobrou o valor da multa quatro dias depois.
Em resposta, a Meta informou na terça-feira (20) que implementou 17 medidas para adequar-se às exigências do tribunal, incluindo a criação de um sistema de revisão humana para analisar restrições automatizadas em contas de anúncios em até duas horas. A empresa afirmou ter cumprido as determinações para garantir a isonomia no segundo turno.
Questionamentos e auditoria
Os parlamentares dos EUA solicitaram uma reunião com a empresa para a próxima sexta-feira (23) e estabeleceram o prazo de 4 de novembro para respostas por escrito. O grupo busca entender as diretrizes de moderação de conteúdo em eleições estrangeiras e questiona se houve diálogo entre a Meta e membros do governo de Donald Trump sobre a regulação de plataformas, o Judiciário brasileiro ou as eleições de 2026.
A carta também exige a data exata em que a Meta detectou as diferenças de tratamento entre as campanhas e quais ações foram tomadas para a correção. Por fim, os congressistas questionam a possibilidade de permitir que auditores independentes acessem dados internos de distribuição de conteúdo político para validar a equidade do processo nas eleições brasileiras.