Política

Participação feminina nas chapas para a Presidência da República cai para as eleições de 2026

18 de Agosto de 2026 às 07:04

A participação feminina nas chapas para a Presidência da República em 2026 caiu para sete mulheres, sendo duas candidatas ao cargo principal e cinco a vice. A representatividade proporcional recuou para 27% das vagas em disputa, contra 36% no pleito de 2022

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A participação feminina nas chapas para a Presidência da República sofreu uma redução significativa para as eleições de 2026. O número de mulheres encabeçando as candidaturas caiu para duas, metade do volume registrado em 2022, quando quatro mulheres disputavam o cargo máximo do Executivo.

No total, sete mulheres integram as chapas deste ano, sendo duas candidatas a presidente e cinco a vice. Esse montante representa uma queda em relação ao recorde de 2022, quando a participação feminina atingiu o maior patamar desde a primeira eleição direta após a redemocratização, em 1989.

Proporcionalidade e Composição das Chapas

Com a existência de 13 chapas em 2026 — duas a mais que no pleito anterior —, a representatividade proporcional das mulheres recuou para 27% das 26 posições em disputa, contra 36% das 22 vagas em 2022. A presença feminina agora se concentra em 38% das chapas, um recuo considerável frente aos 55% de 2022 e 54% de 2018.

As candidaturas femininas para este ciclo estão distribuídas da seguinte forma:

  • DC: Clariana Barão e Fabiana Torquato;
  • UP: Samara Martins e Raquel Brício;
  • PCB: Cleusa Santos (vice de Edmilson Costa);
  • PSTU: Vanessa Portugal (vice de Hertz Dias);
  • Democrata: Suê Haidar (vice de Wilson Grassi).

O cenário atual repete o recorde de duas chapas compostas exclusivamente por mulheres, marca também alcançada em 2022. Historicamente, desde 1989, apenas 4,5% das 111 chapas presidenciais foram inteiramente femininas.

Barreiras Institucionais e Jurídicas

A disparidade na composição das chapas é atribuída a fatores estruturais e à dinâmica dos acordos políticos. A dificuldade em formar alianças à direita e a manutenção da chapa Lula-Alckmin são apontadas como influências diretas no cenário atual. Além disso, a ausência de mulheres em instâncias de decisão partidária e em cargos de gestão pública limita a viabilidade de candidaturas competitivas.

No campo jurídico, a legislação brasileira diferencia as eleições proporcionais das majoritárias. Enquanto candidaturas para deputado e vereador exigem a cota mínima de 30% de um dos gêneros, essa regra não se aplica a cargos de presidente, governador ou prefeito. A implementação de cotas para o Executivo enfrentaria entraves constitucionais relacionados à soberania do voto e à autonomia dos partidos.

Financiamento e Dinâmica de Poder

Existe um debate sobre a aplicação dos recursos públicos e do tempo de propaganda, reservados em 30% para mulheres. Como a chapa para a Presidência é considerada uma unidade única, a verba destinada a uma candidata a vice acaba beneficiando a campanha do titular, mesmo que este seja homem.

Embora a prestação de contas permita rastrear a utilização desses valores, a questão permanece em disputa jurídica. Irregularidades podem ser apuradas via Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) ou Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (Aime), podendo resultar na devolução de verbas ou cassação de mandatos.

Histórico de Representatividade

A trajetória da presença feminina nas eleições majoritárias é marcada por oscilações. Entre 1989 e 2010, o número de candidatas a presidente ou vice variou entre uma e três por pleito. O crescimento começou a ser mais expressivo a partir de 2014, quando o número saltou para seis, chegando a oito em 2018 e 2022 — marca repetida agora em 2026.

Apesar do aumento numérico, a Vice-Presidência raramente serve como trampolim para a chefia da chapa. Apenas Sofia Manzano (vice em 2014 e candidata em 2022) e Samara Martins (vice em 2022 e candidata agora) realizaram essa transição.

Os dados de 2026 ainda podem sofrer alterações conforme a Justiça Eleitoral julga as candidaturas. Entre os casos pendentes está a chapa de Pablo Marçal, do PRTB, que registrou a candidatura apesar de estar inelegível.

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