Partido Novo oficializa a candidatura de Romeu Zema à Presidência da República
O partido Novo oficializou a candidatura de Romeu Zema à Presidência da República em convenção nacional em Brasília. O ex-governador de Minas Gerais deve definir o nome do vice até 5 de agosto
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O partido Novo oficializou, em convenção nacional realizada em Brasília nesta segunda-feira (27), a candidatura de Romeu Zema à Presidência da República. O empresário de 61 anos, que governou Minas Gerais entre 2019 e março deste ano, renunciou ao cargo estadual para viabilizar a disputa pelo Palácio do Planalto.
Apesar da confirmação da candidatura, a chapa presidencial segue incompleta. O nome do vice ainda não foi definido, após a desistência de Geraldo Rufino, que optou por concorrer ao Senado por São Paulo via Podemos. Zema afirmou que a definição do cargo ocorrerá até o dia 5 de agosto, prazo limite estabelecido pela Justiça Eleitoral.
Perfil e trajetória política
Formado em administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Zema é herdeiro do Grupo Zema, conglomerado fundado por seu bisavô que atua nos setores de eletrodomésticos, combustíveis, imobiliário e serviços financeiros. Antes de assumir o comando do grupo na década de 90, exerceu funções operacionais como frentista, estoquista e vendedor.
Embora tenha se apresentado como um outsider ao migrar para o Novo em 2018, o político foi filiado ao PL entre 1999 e 2018. Em sua trajetória executiva, venceu Antonio Anastasia na primeira disputa ao governo de Minas e foi reeleito em 2022 no primeiro turno, com 56% dos votos. Naquela ocasião, declarou ao Tribunal Superior Eleitoral um patrimônio de quase R$ 130 milhões.
Posicionamento ideológico e embates institucionais
A plataforma de Zema para a disputa presidencial foca na austeridade fiscal, na redução do Estado e em um discurso antissistema. Embora tenha apoiado Jair Bolsonaro em 2018 e 2022, o candidato tem se distanciado da família do ex-presidente, descartando a possibilidade de ser vice de Flávio Bolsonaro.
O distanciamento intensificou-se após Zema criticar a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, banqueiro envolvido em fraudes bilionárias. O candidato também manifestou oposição ao "Centrão" e a partidos como PP e União Brasil, citando a proximidade de suas lideranças com Vorcaro.
Zema tem mantido confrontos diretos com o Supremo Tribunal Federal (STF). Em março, protocolou um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes e publicou vídeos utilizando inteligência artificial para criticar os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli. O episódio resultou em um pedido de inclusão de Zema no inquérito das fake news por parte de Gilmar Mendes.
Caso seja eleito, Zema propõe alterações nas regras de indicação para a Suprema Corte, incluindo:
- Fixação de idade mínima de 60 anos para ministros;
- Implementação de uma lista de candidatos para escolha do presidente;
- Extinção de decisões monocráticas.
Gestão em Minas Gerais e controvérsias
O histórico administrativo de Zema em Minas Gerais é marcado por entregas mistas. De 12 promessas feitas em 2022, quatro foram totalmente cumpridas e cinco parcialmente. A privatização da Copasa ocorreu em junho de 2026, mas a venda da Cemig não foi concretizada. Além disso, o ex-governador não realizou o reajuste salarial do funcionalismo público para compensar a inflação.
Recentemente, a gestão de Zema foi questionada por uma isenção fiscal de R$ 2,2 milhões concedida à Eletrozema S/A, empresa de sua família, iniciada em junho de 2024. O candidato defendeu a legalidade da medida, alegando que tais isenções ocorrem desde 2008.
O político também enfrentou repercussões por declarações polêmicas:
- Regionalismo: Comparou o Brasil a um produtor rural que privilegia "vaquinhas que produzem pouco" em detrimento de regiões mais produtivas, o que foi visto como preconceituoso por governadores do Nordeste.
- Gênero: Defendeu que a conclusão de estudos no programa Bolsa Família fosse exigida apenas de homens, justificando que as mulheres possuem "outras atribuições em casa".
- Legislação: Ironizou o PT em vídeo com sons de fogos de artifício, contrariando lei municipal de Belo Horizonte que proíbe artefatos ruidosos.
Atualmente, Zema mantém o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como seus principais adversários, comprometendo-se a apoiar qualquer nome que represente o antipetismo em um eventual segundo turno. Em pesquisa Datafolha de 24 de julho, o candidato registrava 3% das intenções de voto para o primeiro turno.