Partidos do Centrão articulam mudança no sistema eleitoral para frear crescimento do PL na Câmara
Lideranças do Centrão e o presidente da Câmara, Hugo Motta, articulam a mudança do sistema eleitoral brasileiro para conter o crescimento do PL. Estão em debate os modelos de distrital misto e distritão, com novas reuniões previstas para a próxima terça-feira e 28 de outubro
Lideranças de partidos do Centrão articulam a alteração do sistema eleitoral brasileiro ainda este ano. O objetivo central da movimentação é frear o crescimento de siglas de direita, com foco no PL, que conquistou a maior bancada na Câmara dos Deputados desde 1988, totalizando 121 parlamentares para a próxima legislatura.
A mobilização ocorreu durante reunião na última quarta-feira (14) entre presidentes de 10 legendas e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). No encontro, além de confirmarem o apoio à reeleição de Motta, os dirigentes discutiram a necessidade de reformular as regras de votação para garantir a sobrevivência política de seus próprios grupos, que perderam cadeiras para a legenda do senador Flávio Bolsonaro.
Modelos em debate
O grupo critica o atual sistema proporcional, no qual o número de vagas é definido pelo total de votos da sigla. Esse formato permite que candidatos com votações expressivas, a exemplo de Nikolas Ferreira (PL-MG), elejam colegas com menos votos, fenômeno que parlamentares do Centrão classificam como estímulo a uma "indústria de candidatos".
Para solucionar o impasse, duas alternativas principais estão sendo analisadas:
- Distrital misto: Modelo preferido pelos presidentes de partidos. A proposta divide os estados em distritos eleitorais, onde metade das vagas seria preenchida pelos mais votados localmente. A outra metade seria definida por listas fechadas, nas quais as siglas determinam a ordem de preferência dos candidatos. Já existe um projeto de lei sobre este tema em tramitação.
- Distritão: Defendido pelo Podemos e por parte dos deputados, este modelo tornaria a eleição majoritária, similar à do Senado, elegendo apenas os mais votados e eliminando a figura dos "puxadores de votos". Esta opção enfrenta resistência dos dirigentes partidários por reduzir o poder das legendas e favorecer candidatos influencers, além de exigir a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
Articulação e cronograma
A urgência em debater a pauta nesta legislatura baseia-se no receio de que, a partir de 2027, a resistência do PL — com sua bancada ampliada — torne a convergência política inviável. No entanto, a falta de consenso interno é um obstáculo, já que cada partido busca um modelo que maximize seus próprios interesses, e há divergências entre as bases parlamentares e as cúpulas partidárias.
O cronograma de negociações prevê:
- Próxima terça-feira: Nova reunião entre líderes aliados a Hugo Motta para organizar as propostas e iniciar a redação de um texto.
- 28 de outubro: Encontro com os presidentes dos partidos, agendado para após as eleições presidenciais.
O deputado Domingos Neto (PSD-CE), relator do projeto sobre o sistema distrital misto, deve integrar as discussões.
Para evitar que a proposta seja barrada posteriormente, parlamentares sugerem que o Senado Federal e seu presidente, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sejam incluídos nas tratativas desde o início, buscando um acordo institucional entre as duas Casas.