PF aponta que Ciro Nogueira recebeu vantagens financeiras para defender interesses do Banco Master
A Polícia Federal informou ao STF que o senador Ciro Nogueira teria recebido pagamentos mensais de R$ 300 mil a R$ 500 mil e viagens de luxo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em troca, o parlamentar teria defendido interesses do Banco Master no Senado, como a apresentação de emenda à PEC 65/2023. O relatório aponta a possibilidade de lavagem de dinheiro para ocultar os recursos
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A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório que detalha a existência de uma relação funcional e instrumental entre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. De acordo com as investigações, Vorcaro teria oferecido um tratamento privilegiado ao parlamentar, que envolvia a contrapartida de ações no Senado para defender interesses da instituição financeira.
O documento, enviado ao ministro André Mendonça e tornado público nesta terça-feira (16), aponta que o senador teria utilizado seu cargo para beneficiar o banco, exemplificado pela apresentação da Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023. A proposta, que visava alterar o funcionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), teria sido redigida pela própria assessoria do Banco Master e entregue ao senador em sua residência. A PF fundamenta essa conclusão em metadados de arquivos, comunicações extraídas de aparelhos celulares e na similaridade literal entre as minutas privadas e o texto protocolado no Senado.
Em troca, Vorcaro teria proporcionado vantagens financeiras a Ciro Nogueira, incluindo a transferência de valores mensais, descritos como "mesadas", que oscilavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além da aquisição de participações societárias. A PF também identificou o custeio sistemático de viagens internacionais de luxo entre 2024 e 2025, com a utilização de jatos particulares, hospedagens em hotéis de alto padrão — como o Park Hyatt New York — e despesas em restaurantes sofisticados.
O itinerário do parlamentar incluiu destinos como Portugal, Nova Iorque, Paris e Courchevel, nos Alpes franceses. Nestas ocasiões, o ex-banqueiro teria custeado não apenas o transporte e a reserva de chalés, mas também a compra de roupas de esqui para o senador e sua companheira. Embora o valor total desses gastos ainda esteja sendo apurado, a Polícia Federal estima que o montante supere R$ 500 mil.
O inquérito indica, ainda, a possibilidade de lavagem de dinheiro, com a utilização de empresas interpostas e terceiros para ocultar a origem e o destino dos recursos destinados ao senador.
Daniel Vorcaro, cujo banco foi liquidado pelo Banco Central, encontra-se preso em Brasília por fraudes financeiras. O empresário tentou firmar acordos de delação premiada, porém as propostas foram rejeitadas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.
Questionada em maio, durante operação da PF, a defesa de Ciro Nogueira afirmou que o senador repudia qualquer acusação de ilicitude em sua conduta parlamentar e que permanece à disposição da Justiça para prestar os esclarecimentos necessários.