PL conquista a maior bancada da história do Senado desde a Constituição de 1988
O Partido Liberal (PL) terá a maior bancada do Senado Federal desde 1988, com 28 dos 81 assentos a partir de 2027. O grupo progressista, composto por PT, PSB, Rede e PDT, deve totalizar 15 parlamentares
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O Partido Liberal (PL) alcançou um resultado histórico nas eleições, consolidando-se como a maior bancada partidária do Senado Federal desde a promulgação da Constituição de 1988. Com a eleição de 19 senadores no último pleito, a legenda deverá contar com 28 dos 81 assentos da Casa a partir de 2027, superando a marca de 27 integrantes do antigo PMDB em 1999.
Essa nova configuração, que coloca o PL com mais de um terço do Senado, impõe desafios de articulação para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e para os blocos de esquerda. Atualmente, a soma de parlamentares do PT, PSB, Rede e PDT deve totalizar 15 senadores, enquanto os outros 37 assentos ficam distribuídos entre MDB, PP, União Brasil, PSD, Republicanos, Novo, Podemos e PSDB, além de um senador sem partido.
Estratégias da esquerda e pautas prioritárias
Parlamentares eleitos e reeleitos do campo progressista planejam a atuação para a próxima legislatura focando em alianças pontuais e mobilização social. As senadoras estreantes Marília Arraes (PDT-PE), Samanda de Lula (PT-RN) e Marília Campos (PT-MG) defendem o diálogo com adversários e a construção de consensos em pautas específicas para evitar a perda de direitos sociais.
Marília Campos pretende utilizar sua experiência na gestão municipal para articular demandas de prefeituras, independentemente da ideologia dos colegas. Já Marília Arraes destaca a necessidade de priorizar a autonomia econômica e o combate à violência contra as mulheres, além de levar as pautas do Nordeste ao debate nacional. Samanda de Lula enfatiza que a nova correlação de forças exigirá firmeza, especialmente em temas ligados à democracia e aos direitos dos trabalhadores.
Embates ideológicos e pautas de costumes
Senadores reeleitos, como Humberto Costa (PT-PE) e Cid Gomes (PSB-CE), preveem um aumento na pressão por pautas de costumes. O foco deve recair sobre a tentativa de restringir o aborto, que hoje é legalmente permitido no Brasil em casos de risco de vida para a gestante, anencefalia fetal ou estupro.
Humberto Costa observa que o perfil dos novos parlamentares é mais agressivo e radical, o que pode dificultar o diálogo. No entanto, ele acredita que o governo Lula manterá a maioria para projetos já acordados, como a proposta de extinção da escala de trabalho 6x1.
Por outro lado, Cid Gomes relativiza o impacto do crescimento da direita. Para ele, embora o grupo tenha número suficiente para solicitar a abertura de uma CPI, não possui votos para formar maioria simples. O senador projeta um Senado dividido em três blocos: um terço à direita, um grupo progressista e uma parcela de apoio ao governo.
Disputa pela Presidência do Senado
A sucessão para o comando da Casa, com eleição prevista para fevereiro de 2027, já movimenta os bastidores. Humberto Costa e Cid Gomes veem Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) como um nome com maior capacidade de construir maioria via acordos partidários.
Cid Gomes argumenta que a falta de consenso interno na direita, com interesses divergentes de nomes como Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS), favorece a recondução de Alcolumbre. No entanto, o apoio do PT ao nome de Alcolumbre está condicionado a não haver concessões em temas inegociáveis, especificamente a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
A composição final do Senado poderá sofrer alterações até fevereiro, devido a possíveis trocas de partido ou nomeações de senadores para cargos no Poder Executivo.