PL divide-se entre apoiar Hugo Motta ou lançar candidatura própria para a presidência da Câmara
O PL diverge internamente sobre apoiar Hugo Motta ou lançar candidatura própria para a presidência da Câmara. Uma ala prioriza a escolha de comissões, enquanto outro grupo defende a independência partidária. A definição ocorrerá em reunião da bancada no dia 11
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O PL enfrenta um impasse interno sobre a estratégia para a sucessão da presidência da Câmara, após ter oficializado, nesta quarta-feira (4), a candidatura de Rogério Marinho (RN) ao comando do Senado. A divergência foi pauta de reunião realizada na terça-feira (3) entre o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, e lideranças partidárias.
Divergências sobre a composição de bloco
Uma ala pragmática do partido defende o apoio a Hugo Motta (Republicanos-PB), que já soma o respaldo de 15 legendas para formar a maior coalizão da Casa. O argumento central é evitar o isolamento institucional. Projeções técnicas indicam que, caso o PL não integre o bloco de Motta, a sigla teria apenas a 16ª preferência na escolha de comissões, sendo relegada a colegiados de menor relevância.
Em contrapartida, a adesão ao grupo de Motta garantiria ao PL a prioridade na escolha das três primeiras comissões, devido ao fato de possuir a maior bancada para 2027. Esse grupo recorda a disputa pelo Senado em 2023, quando o enfrentamento de Marinho contra Rodrigo Pacheco resultou na perda de espaços na Mesa Diretora e a ausência de comissões, decisão da qual o partido teria se arrependido.
Pressão por independência e candidatura própria
A oposição interna a esse movimento é liderada principalmente por deputados novatos, que defendem a independência da sigla. Para esse grupo, a composição com Motta seria politicamente desgastante perante o eleitorado, especialmente por dividir o mesmo bloco com o PT. O estopim para essa resistência teria sido a declaração pública de Hugo Motta em favor da reeleição do presidente Luís Inácio Lula.
Os defensores de uma candidatura própria minimizam a importância das comissões, alegando que esses colegiados perderam força legislativa, já que a presidência da Casa frequentemente utiliza requerimentos de urgência para levar projetos diretamente ao plenário. Sobre as emendas vinculadas às comissões, argumentam que a execução desses recursos depende de negociações com o Palácio do Planalto, o que não justificaria a renúncia a uma candidatura ao comando da Casa.
Nomes e articulações
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) manifestou-se publicamente a favor da disputa pela presidência, sugerindo os nomes de Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). Para o parlamentar, a resposta ao eleitorado brasileiro prevalece sobre a conquista de comissões.
Enquanto a bancada do PL deve se reunir na próxima quarta-feira (11) para definir se apoiará Motta ou lançará um nome próprio, o PT — que já formalizou apoio a Hugo Motta — trabalha para impedir a entrada da sigla de oposição no bloco. Parlamentares petistas chegam a condicionar a permanência na coalizão ao isolamento do PL.