Política

PL usa inteligência artificial para associar imagem de Neymar ao senador Flávio Bolsonaro

13 de Junho de 2026 às 06:09

O Partido Liberal utilizou inteligência artificial em vídeo para associar a imagem de Neymar ao senador Flávio Bolsonaro após a convocação do atleta. O senador também compartilhou foto com o jogador, que não se manifestou publicamente

A convocação de Neymar por Carlo Ancelotti tornou-se o ponto de partida para novas movimentações políticas no Brasil. O Partido Liberal (PL) utilizou inteligência artificial para publicar um vídeo que associa a imagem do jogador ao senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, com a frase “Flávio é Neymar e Neymar é Flávio”. O senador também compartilhou uma foto com o atleta para celebrar a convocação, embora Neymar não tenha se manifestado publicamente sobre a postagem.

A relação entre o esporte e a política é recorrente no país, especialmente em anos de Copa do Mundo, que coincidem com ciclos eleitorais desde 1994. De acordo com a historiadora Bruna Barenco, da Universidade Federal Fluminense (UFF), o status de celebridade de atletas como Neymar amplifica o impacto político de suas ações e falas.

Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou a dimensão diplomática do futebol ao brincar com Donald Trump, em 7 de maio, pedindo que os vistos dos jogadores brasileiros para a Copa de 2026 não fossem anulados, visando a conquista do título. No entanto, em participação no programa Sem Censura, da TV Brasil, Lula apresentou uma visão crítica sobre o momento atual do esporte, afirmando que, embora o Brasil tenha chances de conquistar o hexa, a seleção carece de ídolos e de "gênios" comparáveis aos das conquistas de 1958, 1962 e 1970.

Historicamente, governos brasileiros de diferentes inclinações ideológicas utilizaram o sucesso da seleção para fortalecer a imagem institucional. Em 1958, Juscelino Kubitschek recebeu os campeões no Palácio do Catete, associando a vitória ao otimismo dos "Anos Dourados" e ao fim do "Complexo de Vira-lata". Já em 1962, o governo de João Goulart interveio diretamente na dinâmica do torneio: o primeiro-ministro Tancredo Neves enviou uma carta à Fifa e ao presidente do Chile para garantir que Garrincha pudesse disputar a final.

Durante a ditadura militar, a relação tornou-se mais explícita. O governo de Emílio Garrastazu Médici utilizou a Copa de 1970 como ferramenta de propaganda ufanista, vinculando a vitória do Brasil ao "Milagre Econômico". Esse período foi marcado por interferências diretas, como a demissão do técnico João Saldanha, ligado ao Partido Comunista Brasileiro, após ele ironizar a pressão de Médici para convocar o jogador Dadá Maravilha. O historiador Carlos Fico, da UFRJ, observa que, embora músicas como “Pra Frente, Brasil” tenham sido sucessos, isso não significava necessariamente a adesão popular ao regime.

Com a redemocratização, a dinâmica mudou. Em 1994, sob o Plano Real e após o impeachment de Fernando Collor, houve uma tentativa de distanciar o futebol da política, embora a conquista tenha servido como elemento de unificação nacional em meio à hiperinflação e ao luto pela morte de Ayrton Senna.

Já o pentacampeonato de 2002 ocorreu durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso, que manteve uma postura mais distante do esporte do que seus antecessores. O título coincidiu com a primeira vitória eleitoral de Lula, reforçando um clima de otimismo com o futuro do país. Para a historiadora Bruna Barenco, a utilização política do futebol persiste em governos democráticos, manifestando-se de forma menos direta, como nas interações oficiais e comemorações presidenciais.

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