Presidente do partido Novo afirma que não reconhece a vitória de Lula nas eleições presidenciais
Eduardo Ribeiro, presidente do Novo, não reconhece a vitória de Lula nas eleições presidenciais, apesar de não contestar as urnas eletrônicas. O senador Flávio Bolsonaro também recusa o resultado e alega fraude, enquanto 27 siglas políticas reconheceram o vencedor. O TSE proclamou a vitória de Lula com vantagem de 4,4 milhões de votos
O presidente do partido Novo, Eduardo Ribeiro, declarou que não reconhece a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais, afirmando que o Brasil não vive em regime democrático. A posição ocorre após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proclamar Lula vencedor da disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), com uma vantagem de 4,4 milhões de votos.
Ribeiro fundamenta a recusa no uso da máquina pública e na atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), citando a decisão do ministro Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação até as 19h. O dirigente do Novo informou que a legenda mantém três ações judiciais que pedem a cassação da chapa governista, ajuizadas antes do pleito, e que a manutenção do posicionamento é uma questão de coerência. Embora questione a justiça do processo devido à condição de incumbente do presidente eleito, Ribeiro ressaltou que o partido não contesta a lisura das urnas eletrônicas.
Reações institucionais e partidárias
Enquanto o Novo e o senador Flávio Bolsonaro — que também declarou não reconhecer o resultado e pediu a anulação da votação — contestam o pleito, outras 27 siglas políticas já manifestaram reconhecimento à vitória de Lula. Entre elas está o próprio PL, partido de Flávio Bolsonaro, além de legendas como União Brasil, MDB, PSD, Republicanos, PSDB, PDT, PSB, PSOL, Podemos, Avante, Democrata, DC, UP e PSTU. Apenas o partido Mobiliza não se pronunciou.
O presidente da Corte Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, assegurou que a Justiça Eleitoral conduziu o processo com segurança e que as eleições ocorreram dentro da normalidade.
Movimentações de Flávio Bolsonaro
Após a derrota, o senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos. Em carta divulgada após o desembarque, o parlamentar adotou tom golpista ao alegar fraude eleitoral e autoproclamar-se o "verdadeiro presidente do Brasil" e "presidente eleito". Minutos depois, o senador alterou a expressão para "líder do Brasil". O partido Novo não se manifestou oficialmente sobre o conteúdo da carta, mantendo seus quadros livres para posicionamentos individuais.
Cenário interno e desempenho do Novo
A postura do Novo é interpretada como uma tentativa de atrair quadros da direita, especialmente do PL, que estejam alinhados ao discurso de não reconhecimento do resultado. Eduardo Ribeiro negou a existência de uma estratégia deliberada para causar rupturas, mas afirmou que a legenda permanece aberta a liberais e conservadores.
Historicamente, a relação do partido com o bolsonarismo apresentou tensões. Durante a campanha, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, criticou publicamente Flávio Bolsonaro após a revelação de áudios em que o senador cobrava dinheiro de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse. A crítica gerou pressões internas para que Zema reduzisse o tom contra o senador para evitar prejuízos em palanques no Sul do país.
No pleito, o Novo obteve a eleição de dez deputados federais e três senadores, conseguindo romper a cláusula de barreira — regra que garante acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV. No entanto, Romeu Zema teve um desempenho inferior ao de Felipe D’Avila em 2022, terminando na sexta colocação com 326.488 votos (0,27% dos votos válidos).