Política

Presidente do PL defende interferência de dirigentes partidários na destinação de emendas parlamentares

14 de Julho de 2026 às 15:07

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, é investigado pela Polícia Federal por desvio de R$ 119 milhões em emendas parlamentares. O ministro Flávio Dino, do STF, determinou a suspensão dos recursos indicados irregularmente pelo dirigente

Presidente do PL defende interferência de dirigentes partidários na destinação de emendas parlamentares
Divulgação/Alesp

Valdemar Costa Neto, presidente do PL, defendeu publicamente a interferência de dirigentes partidários na destinação de emendas parlamentares. Em entrevista concedida nesta terça-feira (14), o dirigente afirmou que tal prática é inerente ao cargo, justificando que a cúpula do partido detém uma visão nacional das necessidades da legenda, enquanto parlamentares individuais priorizariam apenas suas bases locais.

Investigação e irregularidades

A postura de Valdemar contrasta com a natureza legal das emendas, que são prerrogativas exclusivas de deputados e senadores. Como ex-deputado, a atuação do presidente do PL na indicação desses recursos é considerada irregular pela Polícia Federal.

O dirigente é alvo de investigações por associação criminosa e desvio de dinheiro. A PF apura a existência de um esquema clandestino que teria resultado no desvio de R$ 119 milhões em emendas.

Mecanismo de operação e decisão judicial

De acordo com as apurações, o esquema funcionava da seguinte forma:
* As indicações de Valdemar eram organizadas em planilhas e enviadas aos ministérios.
* Para simular legalidade, deputados federais eram registrados falsamente como os solicitantes dos recursos.

Devido a essas evidências, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na última sexta-feira (10) a suspensão das emendas que teriam sido indicadas irregularmente pelo presidente do partido.

Justificativa política

Questionado sobre a prática de outros presidentes de partido interferirem em emendas, Valdemar confirmou a ocorrência e reiterou que a função da presidência é zelar pelo partido. Ele argumentou que a negociação de recursos integra a dinâmica política para beneficiar prefeitos e vereadores que necessitam de verbas, mas não possuem representação direta no Congresso Nacional.

Com informações de G1

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