Presidente do PL defende interferência de dirigentes partidários na destinação de emendas parlamentares
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, é investigado pela Polícia Federal por desvio de R$ 119 milhões em emendas parlamentares. O ministro Flávio Dino, do STF, determinou a suspensão dos recursos indicados irregularmente pelo dirigente
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/h/T/UTjKBjR5SlSUq582JdEg/001-27fev26-solene-valdemar-costa-neto-rodrigo-romeo-55119176911-o.jpg)
Valdemar Costa Neto, presidente do PL, defendeu publicamente a interferência de dirigentes partidários na destinação de emendas parlamentares. Em entrevista concedida nesta terça-feira (14), o dirigente afirmou que tal prática é inerente ao cargo, justificando que a cúpula do partido detém uma visão nacional das necessidades da legenda, enquanto parlamentares individuais priorizariam apenas suas bases locais.
Investigação e irregularidades
A postura de Valdemar contrasta com a natureza legal das emendas, que são prerrogativas exclusivas de deputados e senadores. Como ex-deputado, a atuação do presidente do PL na indicação desses recursos é considerada irregular pela Polícia Federal.
O dirigente é alvo de investigações por associação criminosa e desvio de dinheiro. A PF apura a existência de um esquema clandestino que teria resultado no desvio de R$ 119 milhões em emendas.
Mecanismo de operação e decisão judicial
De acordo com as apurações, o esquema funcionava da seguinte forma:
* As indicações de Valdemar eram organizadas em planilhas e enviadas aos ministérios.
* Para simular legalidade, deputados federais eram registrados falsamente como os solicitantes dos recursos.
Devido a essas evidências, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na última sexta-feira (10) a suspensão das emendas que teriam sido indicadas irregularmente pelo presidente do partido.
Justificativa política
Questionado sobre a prática de outros presidentes de partido interferirem em emendas, Valdemar confirmou a ocorrência e reiterou que a função da presidência é zelar pelo partido. Ele argumentou que a negociação de recursos integra a dinâmica política para beneficiar prefeitos e vereadores que necessitam de verbas, mas não possuem representação direta no Congresso Nacional.