Política

Primeiro turno das eleições de 2026 registra a maior taxa de abstenção desde 1998

12 de Outubro de 2026 às 07:40 3 min de leitura

O primeiro turno das eleições de 2026 registrou a maior taxa de abstenção desde 1998, com 33,4 milhões de eleitores ausentes (21,08%). O Sudeste teve o maior índice de faltas (22,7%), enquanto o Nordeste apresentou o menor (18,4%)

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O primeiro turno das eleições de 2026, realizado em 4 de outubro, registrou a maior taxa de abstenção desde 1998. Ao todo, 33,4 milhões de eleitores — o equivalente a 21,08% do eleitorado apto — não compareceram às urnas. O índice apresenta uma leve alta em comparação aos 20,9% registrados em 2022.

De acordo com o cientista político Jairo Nicolau, pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV), esse volume de ausências não deve ser interpretado como um desinteresse generalizado pela política. O especialista argumenta que o número engloba perfis heterogêneos, incluindo pessoas não obrigadas a votar, cidadãos que residem longe de seu domicílio eleitoral e distorções cadastrais, como municípios que possuem mais eleitores registrados do que habitantes reais.

Distribuição regional e distorções de cadastro

A análise dos dados revela disparidades significativas entre as regiões brasileiras. O Sudeste concentrou o maior volume de ausências, com 15,1 milhões dos 32,9 milhões de eleitores que não votaram (desconsiderando os residentes no exterior), atingindo uma taxa de 22,7%. O Centro-Oeste registrou 21,7% de abstenção.

Em contrapartida, o Nordeste apresentou o menor índice, com 18,4%, seguido pelo Norte, com 19,4%. Na região Nordeste, houve um aumento de 1,4 milhão de votantes em relação a 2022, quando a abstenção era de 19,5%.

Nicolau alerta que esses números podem ser influenciados por falhas no cadastro eleitoral. Em 2026, 716 municípios apresentaram mais eleitores do que habitantes, fenômeno causado por pessoas que mudam de cidade sem transferir o título ou por falecidos que ainda constam na lista oficial.

Motivações e perfis dos ausentes

Uma pesquisa Datafolha indica que os principais motivos para o não comparecimento foram:

  • Viagens (19%)
  • Problemas de saúde (18%)
  • Desinteresse (13%)
  • Trabalho (9%)

Relatos de eleitores também apontam a burocracia na transferência de títulos e a falta de acessibilidade nos locais de votação como barreiras físicas ao exercício do voto.

Com base em estudos de pleitos anteriores, o pesquisador identifica dois grupos predominantes entre os ausentes. O primeiro é composto por jovens de 18 a 29 anos, para quem o voto é obrigatório. Em 2022, esse grupo somou 7,7 milhões de ausentes (4,3 milhões de homens e 3,5 milhões de mulheres), com destaque para aqueles que tiraram o título facultativamente aos 16 ou 17 anos e não compareceram posteriormente.

O segundo grupo envolve pessoas com 70 anos ou mais e analfabetos, para quem o voto é facultativo. Nesse segmento, destacam-se as mulheres de baixa escolaridade; em 2022, cerca de 4,5 milhões de mulheres com 70 anos ou mais, analfabetas ou com ensino fundamental incompleto, não votaram, muitas vezes devido a limitações de saúde e locomoção.

Impactos da obrigatoriedade e mobilização

O pesquisador observa que a obrigatoriedade do voto perdeu eficácia prática. Isso se deve à facilidade de justificar a ausência via celular e ao baixo valor da multa eleitoral, fixada em R$ 3,70, montante que, em diversas cidades, é inferior ao custo de uma passagem de ônibus.

Diante do cenário, as campanhas intensificaram a mobilização para o segundo turno, marcado para o dia 25. O candidato Lula (PT) incentivou apoiadores a convencerem os ausentes do primeiro turno a votar. Já Flávio Bolsonaro (PL) alertou prefeitos paulistas sobre a necessidade de manter o engajamento da base eleitoral.

Para Nicolau, os jovens representam o grupo com maior potencial de mobilização para a etapa final, diferentemente dos idosos, cujas ausências costumam estar ligadas a fatores estruturais e de saúde.

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