Procuradoria Regional Eleitoral investiga denúncias de assédio eleitoral em parque municipal de São Paulo
A Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo investiga a administradora do Parque Nascentes do Ribeirão Colônia por suposto assédio eleitoral contra funcionários. A gestora teria pressionado trabalhadores a votar em Rodrigo Ashiuchi e outros candidatos. A Prefeitura de São Paulo abriu processo administrativo para apurar as irregularidades
A Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo investiga denúncias de assédio eleitoral no Parque Nascentes do Ribeirão Colônia, localizado em Parelheiros, no extremo sul da capital. Funcionários da unidade relatam ter sido pressionados pela administradora do parque, Cassia Santos Lima, a apoiar a candidatura de Rodrigo Ashiuchi (PL) ao cargo de deputado estadual.
Registros em vídeo, datados de 25 de agosto, mostram a gestora reunindo cerca de 20 trabalhadores de setores como jardinagem, limpeza, segurança e administrativo durante o horário de expediente. Na ocasião, a administradora informou o número de urna do candidato e afirmou que a orientação para a solicitação de votos partiu da própria secretaria municipal.
Apurações e medidas institucionais
A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), negou solicitar apoio a candidatos ou compactuar com a convocação de servidores para fins políticos. A gestão municipal confirmou a abertura de um processo administrativo para apurar as irregularidades.
A campanha de Rodrigo Ashiuchi, ex-secretário da SVMA que deixou o cargo em março para concorrer à Assembleia Legislativa (Alesp), negou ter conhecimento ou ter autorizado reuniões para pedido de votos. A assessoria do candidato informou que a pasta municipal foi oficiada para tomar as providências necessárias.
Relatos de coação e uso da estrutura pública
Trabalhadores do parque, que preferiram o anonimato por medo de represálias, descreveram um ambiente de constrangimento. Um dos relatos aponta que Cassia Santos Lima teria convidado funcionários para atuar em atividades de campanha no contraturno, incluindo a colocação de placas e a realização de boca de urna.
Além do apoio a Ashiuchi, a gestora teria solicitado votos para Milton Leite Filho e Alexandre Leite, candidatos a deputado federal e estadual, respectivamente. A influência do grupo político da família Leite na região é evidenciada por materiais de campanha espalhados na entrada do parque, incluindo propagandas do presidente da Alesp, André do Prado (PL).
Contexto administrativo e legal
Cassia Santos Lima, que recebe remuneração mensal bruta de R$ 6.686,50, ocupa o cargo de administradora desde dezembro de 2022. Segundo funcionários, a nomeação ocorreu por indicação da família Leite. Em suas redes sociais, a gestora mantém registros de eventos partidários e agradecimentos públicos a políticos ligados ao grupo.
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) ressaltou que a Lei das Eleições proíbe a utilização da estrutura da administração pública e de servidores durante o expediente para beneficiar candidaturas. Tais práticas podem resultar em multas, cassação de registro ou diploma, além de responsabilização por improbidade administrativa.
Até o momento, a Procuradoria Regional Eleitoral não forneceu detalhes sobre o andamento da análise da representação, e a administradora Cassia Santos Lima não respondeu aos contatos.