Próximo presidente do Brasil enfrentará cenário geopolítico complexo e disputa entre Estados Unidos e China
O próximo presidente brasileiro enfrentará a elevação de tarifas de importação dos Estados Unidos para 35% e a dependência da China, que detém 28,7% das exportações nacionais. A agenda internacional envolverá a gestão de investimentos estrangeiros e a fragmentação diplomática na América do Sul e na Europa
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/W/5/12FQBMQR6RlruMuYskEA/design-sem-nome-2026-10-16t061335.673.jpg)
O próximo presidente do Brasil assumirá o cargo em um cenário geopolítico significativamente mais complexo, marcado por profundas transformações globais e a necessidade de equilibrar relações com superpotências. O desafio central será a gestão da política externa diante de um mundo fragmentado, onde a soberania nacional e a capacidade de negociação trilateral serão determinantes para evitar a dependência excessiva de um único polo de poder.
A relação estratégica com os Estados Unidos
O vínculo com Washington será o eixo principal da agenda internacional brasileira. O governo de Donald Trump, que se estende até 2029, já impactou a economia nacional com a elevação de tarifas de importação para 35% e a classificação de facções criminosas brasileiras como grupos terroristas.
A dinâmica com a Casa Branca variará conforme o resultado das urnas:
- Luiz Inácio Lula da Silva: Enfrentaria uma relação conflituosa, especialmente devido à postura de Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, que já criticou a condução do governo brasileiro.
- Flávio Bolsonaro: Teria uma proximidade ideológica inicial, mas enfrentaria pressões para se afastar da China, o que acarretaria altos custos econômicos.
Independentemente do vencedor, especialistas apontam que o Brasil precisará convencer os EUA de que não é um rival. A percepção de Washington sobre Brasília como um adversário persiste desde o segundo mandato de Barack Obama, tornando o trabalho de convencimento uma prioridade máxima para evitar sanções ou intervenções.
O dilema entre China e Estados Unidos
O Brasil enfrenta o chamado desafio de Janus, a necessidade de olhar para duas direções opostas para não ser capturado pela rivalidade entre Washington e Pequim. A China é, atualmente, o principal destino das exportações brasileiras, respondendo por 28,7% do total (cerca de US$ 100 bilhões) e sendo o maior investidor no país em 2025, com US$ 6,1 bilhões. Em contrapartida, os investimentos americanos caíram para US$ 8,5 bilhões no último ano.
A disputa tecnológica por inteligência artificial e o controle de minerais críticos e terras raras colocam o Brasil em uma posição de barganha. O debate central será se o país exportará esses recursos como commodities ou se utilizará seu valor agregado para aumentar o poder de negociação global.
Fragmentação na América do Sul e o fator Argentina
A integração regional encontra-se paralisada, com o Mercosul enfraquecido e o continente dividido ideologicamente. A criação do Escudo das Américas, coalizão militar liderada pelos EUA que inclui países como Colômbia e Equador, isolou diplomaticamente o Brasil.
A relação com a Argentina será um termômetro crucial:
- Javier Milei: Caso vença as eleições no ano que vem, poderá tornar o Mercosul um bloco mais flexível. Há análises de que Milei, apesar do alinhamento ideológico com a direita, possa preferir a vitória de Lula para manter sua posição privilegiada junto a Trump, evitando que o Brasil atraísse toda a atenção de Washington.
- Oposição Peronista: Uma vitória de Alex Kicillof tenderia a aproximar Buenos Aires de Brasília, independentemente do presidente brasileiro.
Instabilidade na Europa
A partir de 2027, o Brasil lidará com uma Europa em transição. A saída de Emmanuel Macron da França em maio de 2027 remove um aliado estratégico, enquanto a ascensão de Marine Le Pen e de partidos de direita radical na Itália, Espanha e Alemanha sinaliza uma fragmentação do continente.
A guinada à direita na Europa pode enfraquecer a União Europeia como terceiro polo de relevância mundial, reduzindo a capacidade de Brasília de utilizar o bloco como contrapeso na disputa entre China e EUA. A incerteza sobre quem será o interlocutor confiável na Europa e a possibilidade de novos conflitos no continente adicionam camadas de risco à gestão do próximo governo.