PT abre mão de candidaturas próprias ao governo em 14 estados para as eleições de 2026
O PT lançará candidaturas próprias ao governo em 12 estados e apoiará aliados em outros 14 para as eleições de 2026. A estratégia prioriza a ampliação de alianças, incluindo a primeira desistência de candidatura própria no Rio Grande do Sul desde 1990
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O Partido dos Trabalhadores (PT) definiu a estratégia para as eleições de 2026, priorizando a ampliação de alianças em detrimento de candidaturas próprias para governos estaduais. A sigla abriu mão da chefia de chapa em ao menos 14 estados, optando por apoiar nomes aliados que apresentam maior competitividade nas disputas locais.
Distribuição de candidaturas e alianças
O partido terá candidatos próprios ao governo em 12 unidades da federação: Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia e São Paulo. Nestes casos, os aliados ocuparão as vagas de vice-governador e as candidaturas ao Senado.
Já o apoio a aliados ocorrerá nos estados do Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins. A definição para Roraima permanece pendente, com convenção local agendada para 4 de agosto.
Acordos regionais e cenários específicos
No Rio Grande do Sul, a decisão marca a primeira vez desde a redemocratização — com eleições para governador iniciadas em 1990 — que o PT não lança candidatura própria. O movimento ocorre em um cenário onde a pesquisa Quaest, divulgada em 30 de maio, indica Juliana Brizola (PDT) com 24% e Luciano Zucco (PL) com 22%, dentro da margem de erro de 2 pontos.
No Rio de Janeiro, a sigla se aliou ao prefeito Eduardo Paes, que lidera as pesquisas de 1º e 2º turno para o governo fluminense. Como contrapartida, a deputada federal Benedita da Silva concorrerá ao Senado pela chapa. A estratégia repete a lógica de 2022, quando o partido cedeu a cabeça de chapa para ter Marcelo Freixo como cabo eleitoral de Lula, embora Freixo tenha sido derrotado no segundo turno.
Lógica institucional e pragmatismo
Para viabilizar esses apoios, o PT estabeleceu acordos variados. Em algumas negociações, a sigla garantiu a indicação do vice-governador ou de um nome para o Senado. Em outros casos, o partido optou por não exigir contrapartidas, visando apenas integrar palanques mais competitivos.
Eduardo Grin, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), avalia que essa postura pragmática busca maximizar as chances de vitória na disputa presidencial. Segundo Grin, a estratégia difere do histórico do partido de liderar chapas para preservar a identidade partidária, sendo uma evolução da resposta dada à vitória de Jair Bolsonaro em 2018. Naquele período, o PT havia lançado 13 candidaturas próprias e apoiado 14 aliados.
Luciana Santana, diretora do Instituto de Ciências Sociais da UFAL, observa que a manutenção do equilíbrio entre candidaturas próprias e apoios demonstra que o critério central da sigla continua sendo a maximização da coalizão presidencial, em vez da simples expansão do número de governadores vinculados ao partido.