Política

Raquel Lyra assume a liderança ou empata tecnicamente com João Campos na disputa governatorial

04 de Agosto de 2026 às 10:05

A governadora Raquel Lyra (PSD) lidera ou empata tecnicamente com João Campos (PSB) na disputa pelo governo de Pernambuco. Segundo a pesquisa Genial/Quaest, Lyra soma 43% das intenções de voto contra 37% de Campos. O Datafolha também registrou a ascensão da governadora, que passou de 38% em abril para 48% em maio

A disputa pelo governo de Pernambuco apresenta uma inversão de tendência nas pesquisas eleitorais, com a governadora Raquel Lyra (PSD) assumindo a liderança ou empatando tecnicamente com João Campos (PSB). O cenário atual contrasta com dados de agosto de 2025, quando a diferença entre os candidatos era de 31 pontos a favor de Campos.

De acordo com a pesquisa Genial/Quaest divulgada em 28 de julho, Lyra detém 43% das intenções de voto no primeiro turno, registrando um crescimento de nove pontos desde abril. Já João Campos aparece com 37%, refletindo uma queda de cinco pontos no mesmo período. Em um eventual segundo turno, a governadora soma 45%, enquanto o ex-prefeito do Recife possui 39%.

O Instituto Datafolha também captou esse movimento. Em abril, Campos liderava com 50% contra 38% de Lyra. No entanto, em maio, a governadora passou a liderar com 48% contra 43%, cenário que se manteve estável até o final de julho. Paralelamente, a aprovação da gestão de Raquel Lyra subiu de 62% para 68%.

Estratégias digitais e engajamento

A comunicação nas redes sociais tornou-se um eixo central da disputa. Raquel Lyra tem adotado uma linguagem mais leve e dinâmica, com foco em bastidores e vídeos curtos, aproximando-se do formato de comunicação já utilizado por João Campos. Um exemplo dessa nova abordagem foi a divulgação de novos drones, fuzis e viaturas para a polícia, em um vídeo onde a governadora aparece correndo de salto alto, registro que superou 3 milhões de visualizações no Instagram.

Dados da AtivaWeb Datalab indicam que, no primeiro semestre do ano, Lyra foi a candidata ao governo no Nordeste com maior crescimento proporcional de seguidores no Instagram (+18%), atingindo a marca de 1,9 milhão de usuários. Embora João Campos possua a maior rede de alcance nacional na região, com 3 milhões de seguidores, ele enfrentou quedas em suas taxas de engajamento em 2026.

Embates judiciais e acusações de "milícia digital"

A polarização digital resultou em trocas de acusações sobre a manipulação de redes sociais. João Campos afirmou em junho ter sido alvo de uma "milícia digital" composta por robôs e informações falsas. Por outro lado, a campanha de Raquel Lyra acionou a Justiça Eleitoral e o Ministério Público, apresentando um dossiê com provas técnicas de que uma rede coordenada de perfis falsos estaria operando contra a governadora.

O embate institucional inclui outros episódios:

  • Investigação da PF: O ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou que a Polícia Federal apure um suposto monitoramento ilegal da Polícia Civil de Pernambuco contra aliados de Campos.
  • Caso de assessor: Um assessor de Lyra foi flagrado realizando denúncias anônimas contra a oposição em uma lan house, fato que levou o presidente da Alepe, Álvaro Porto (PSDB), a mencionar a existência de uma milícia digital governamental. O inquérito sobre o caso foi anulado pela Justiça.

Fatores políticos e desgaste de imagem

A análise do cenário aponta que a governadora tem conseguido equilibrar sua imagem entre o eleitorado bolsonarista e a manutenção de uma relação cordial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, a posição de atual governadora permite a Lyra a exposição diária de entregas e a gestão de recursos municipais.

Já João Campos enfrentou um desgaste político significativo em dezembro de 2025, devido a uma polêmica na nomeação de um procurador municipal no Recife. O candidato, filho de magistrados, foi nomeado após um diagnóstico tardio de autismo, retirando a vaga de outro candidato aprovado nas cotas PcD. O episódio gerou pedidos de investigação e uma tentativa de impeachment na Câmara do Recife.

Outro fator determinante foi a saída de Campos da Prefeitura do Recife em abril para focar na campanha, o que reduziu sua exposição diária ao eleitorado em comparação à governadora.

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