Política

Relatório da Polícia Federal revela plano de negócios para filme sobre Jair Bolsonaro

12 de Setembro de 2026 às 18:33 3 min de leitura

Relatório da Polícia Federal revelou plano de negócios para o filme Dark Horse, com projeções de bilheteria entre R$ 230 milhões e R$ 509 milhões. O senador Flávio Bolsonaro admitiu ter pedido recursos ao ex-proprietário do Banco Master para a obra, que terá Jim Caviezel no elenco

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Um relatório da Polícia Federal, tornado público após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou a existência de um plano de negócios para a produção do filme Dark Horse. O documento, intitulado "Plano de Negócio Capitão do Povo V5", foi encontrado no aparelho celular de Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master, e teria sido enviado pelo empresário Thiago Miranda, que atuou como intermediário entre o banqueiro e a família Bolsonaro.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atual candidato à Presidência da República, admitiu ter solicitado recursos a Vorcaro para viabilizar a obra, assegurando que não houve a utilização de verbas públicas na produção.

Projeções de bilheteria e metas financeiras

O planejamento financeiro do longa-metragem previa arrecadações que rivalizariam com os maiores sucessos globais do cinema. O documento detalhava três cenários de bilheteria:

  • Pessimista: US$ 45 milhões (aproximadamente R$ 230 milhões);
  • Intermediário: US$ 70 milhões (aproximadamente R$ 356 milhões);
  • Otimista: US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 509 milhões).

As estimativas, baseadas na cotação do dólar de 11 de setembro de 2026, colocam a produção em um patamar superior aos recordes atuais no Brasil. Mesmo a meta mais baixa (R$ 230 milhões) superaria a bilheteria de "Nada a Perder" (2018), que arrecadou R$ 120 milhões e detém o recorde de maior bilheteria de um filme nacional, segundo o Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro 2025 da Ancine.

Já a projeção otimista de R$ 509 milhões ultrapassaria inclusive "Divertida Mente 2", que soma R$ 442,1 milhões e é o recordista geral de bilheteria no país. Considerando o preço médio do ingresso de R$ 20,40, indicado pelo Informe Anual Cinematográfico 2025 da Ancine, o cenário pessimista exigiria um público de 11,2 milhões de pessoas — volume quase equivalente à população total da cidade de São Paulo (11.451.245 habitantes, conforme Censo 2022 do IBGE).

Elenco e narrativa da obra

Para atingir esses números, a produção apostou em nomes internacionais. O ator norte-americano Jim Caviezel, conhecido por "A Paixão de Cristo", foi escalado para interpretar o ex-presidente Jair Bolsonaro, sob a direção de Cyrus Nowrasteh. Ambos os nomes foram citados em diálogos de Flávio Bolsonaro analisados pela Polícia Federal.

Caviezel, no entanto, carrega controvérsias devido ao filme "Sound of Freedom" (2023), criticado por possíveis ligações com teorias da conspiração do movimento QAnon, embora o ator negue tal vínculo.

Dark Horse é uma cinebiografia ficcional com estreia mundial prevista para 11 de setembro de 2026. O trailer, divulgado em maio de 2026, apresenta o ex-presidente como um "vencedor improvável" e foca no atentado a faca ocorrido em Juiz de Fora (MG), em setembro de 2018.

No roteiro ficcional, o ataque é retratado como parte de uma conspiração envolvendo o crime organizado e adversários políticos, incluindo cenas de flashback de Bolsonaro como militar do Exército nos anos 1980 combatendo o tráfico. Essa narrativa diverge da conclusão oficial da Polícia Federal, que determinou que o autor do crime, Adélio Bispo de Oliveira, agiu sozinho.

Com informações de G1

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