Renan Santos lidera arrecadação de financiamento coletivo para as eleições de 2026 na plataforma QueroApoiar
Os dez pré-candidatos com maior arrecadação na plataforma QueroApoiar somam quase R$ 3 milhões em doações de pessoas físicas para as eleições de 2026. Renan Santos, do partido Missão, lidera a lista com R$ 1,134 milhão provenientes de cerca de 19 mil apoiadores
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Cinquenta dias após a liberação do financiamento coletivo para as eleições de 2026, os dez pré-candidatos com maior volume de arrecadação na plataforma QueroApoiar somam quase R$ 3 milhões em doações de pessoas físicas. O destaque é Renan Santos, pré-candidato à Presidência pelo partido Missão, que lidera o ranking com R$ 1,134 milhão, provenientes de aproximadamente 19 mil apoiadores.
A lista dos mais apoiados é composta majoritariamente por nomes de direita e com forte atuação em redes sociais. Entre os demais destaques estão Jones Manoel (Psol), com R$ 447 mil; Marcel Van Hattem (Novo), com R$ 338 mil; Rodrigo Spada (PSD), com R$ 260 mil; e Kim Kataguiri (Missão), com R$ 191 mil. Completam o grupo Humberto Matos (PCdoB), com R$ 152 mil; Elias Jabbour (PCdoB), com R$ 129 mil; Professor José (PSB), com R$ 109 mil; Gustavo Gayer (PL), com R$ 85 mil; e Rony Gabriel (Podemos), com R$ 70 mil.
A correlação entre a captação de recursos e a presença digital é evidenciada por perfis como o de Jones Manoel, que possui quase 2 milhões de seguidores no Instagram, e de Humberto Matos e Professor José, que utilizam canais no YouTube. Outras trajetórias incluem Elias Jabbour, ex-assessor de Dilma Rousseff no Novo Banco de Desenvolvimento, e Rodrigo Spada, auditor fiscal da Receita Federal. Rony Gabriel, vereador do PL em Erechim (RS), ganhou visibilidade ao denunciar esquemas de contratação de influenciadores envolvendo o Banco Master e o Banco Central. Já Marcel Van Hattem e Gustavo Gayer são congressistas com longa trajetória política.
O partido Missão é a legenda que mais arrecadou na plataforma. Devido ao baixo número de cadeiras no Congresso, a sigla receberá a cota mínima do Fundo Eleitoral, fixada em R$ 3.307.679,85. A coordenação de campanha de Renan Santos informou que, como o partido não possui Fundo Partidário e os recursos do Fundo Eleitoral serão divididos entre outros candidatos, a viabilidade da candidatura presidencial dependerá de arrecadação própria e vaquinhas virtuais.
Diferente de Renan Santos, nomes como Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) ainda não abriram campanhas de doação, baseando-se na estrutura de máquinas públicas. Essas candidaturas devem iniciar a arrecadação entre o final de julho e o início de agosto. Para efeito de comparação, as siglas desses pré-candidatos possuem repasses significativos do Fundo Eleitoral: PL (R$ 881,7 milhões), PT (R$ 615,4 milhões), PSD (R$ 421 milhões) e Novo (R$ 90,11 milhões).
Instituído pelo TSE em 2019 após a proibição de doações empresariais pelo STF, o financiamento coletivo permite que pessoas físicas doem até 10% de sua renda bruta declarada no ano anterior. As doações podem ocorrer de 15 de maio até o dia do pleito, sendo proibido o uso de criptomoedas. Valores a partir de R$ 1.064,10 devem ser transferidos via cheque cruzado ou transferência bancária.
Para operar, as plataformas devem ser autorizadas pelo TSE e seguir normas do Banco Central, incluindo a identificação do CPF do doador, a atualização em tempo real dos valores e a emissão de comprovantes. Atualmente, dez plataformas estão autorizadas, entre elas Apoia.se, DoarPara, AS2 Solutions, Conectei, Elis Gestão Estratégica, GMT Tecnologia, Quero Apoiar, SmartCast, Um a Mais e Webi9.
A prestação de contas parcial deve ser entregue à Justiça Eleitoral entre 9 e 13 de setembro, enquanto o relatório completo tem prazo até 14 de novembro. Historicamente, a modalidade arrecadou R$ 14,6 milhões nas últimas eleições presidenciais e R$ 7,7 milhões no pleito municipal de 2024.