Republicanos decide que o senador Cleitinho não será candidato ao governo de Minas Gerais
O partido Republicanos decidiu que o senador Cleitinho não será candidato ao governo de Minas Gerais. A legenda justificou a medida pela ausência do parlamentar na convenção estadual, enquanto a assessoria do senador afirma que ele permanece disposto a concorrer
O Republicanos decidiu que o senador Cleitinho não será candidato ao governo de Minas Gerais. A determinação da legenda ocorre mesmo com o parlamentar liderando as pesquisas recentes e declarando publicamente sua intenção de disputar o cargo.
A decisão foi anunciada por Marcos Pereira, presidente nacional do partido, e ratificada por meio de uma nota das executivas nacional e estadual. O partido justificou a medida apontando a ausência de uma definição clara por parte do senador, destacando que a falta de comparecimento de Cleitinho à convenção estadual, realizada no último sábado (25), gerou "consequências inevitáveis".
Impasse jurídico e partidário
Apesar da negativa do partido, a assessoria de Cleitinho divulgou um comunicado contradizendo a legenda e afirmando que o senador permanece disposto a concorrer ao Palácio Tiradentes. No entanto, a legislação eleitoral brasileira impede que o parlamentar altere sua filiação neste momento.
Para disputar o pleito, o candidato deve estar filiado à legenda pelo menos seis meses antes da eleição, prazo que se encerrou em 4 de abril. Como o sistema eleitoral não permite candidaturas avulsas, o registro de qualquer nome depende obrigatoriamente da aprovação e do registro de um partido político. Assim, a viabilidade da candidatura de Cleitinho estaria condicionada exclusivamente ao Republicanos.
Histórico de indecisões e cenário político
A trajetória da pré-candidatura, anunciada pelo partido em 2 de março, foi marcada por instabilidades. O senador condicionou sua participação a dois fatores: a liderança em pesquisas e a desistência do deputado Nikolas Ferreira (PL).
Interlocutores e adversários apontam que a hesitação de Cleitinho estaria ligada ao receio de assumir a gestão de um estado com situação fiscal crítica, especialmente devido ao elevado endividamento de Minas Gerais com a União, fator que impacta diretamente investimentos e reajustes salariais.
Outros episódios contribuíram para a instabilidade:
- Negociações com o PL: O partido buscava um palanque em Minas para a candidatura de Flávio Bolsonaro e cogitou apoiar Cleitinho, mas o senador adiou a decisão sobre sua candidatura.
- Luto familiar: Em 18 de julho, o senador perdeu o irmão, Matheus Azevedo, e informou a interlocutores que não teria condições psicológicas para realizar campanha.
- Conflitos internos: Em 8 de julho, Cleitinho chegou a criticar o presidente estadual da legenda, Euclydes Pettersen, ao afirmar que só decidiria sobre a disputa em 5 de agosto.
Impactos nas chapas proporcionais
A indefinição do nome para o governo gera reflexos diretos na organização das campanhas para deputados federais, estaduais e vereadores. O potencial de votação de Cleitinho — que obteve mais de 4 milhões de votos para o Senado em 2022 — era visto como um trunfo para ampliar a representatividade do Republicanos nas eleições proporcionais.
Diante da incerteza, o PL e o Republicanos passaram a negociar apoio a Marcelo Aro (PP). A movimentação ocorre em um cenário onde o governo de Romeu Zema enfrenta desgaste e o atual governador, Mateus Simões (PSD), possui menor conhecimento junto ao eleitorado.