Política

São Paulo nunca elegeu governador de esquerda desde a retomada das eleições diretas em 1982

06 de Outubro de 2026 às 07:12 3 min de leitura

São Paulo não elegeu governadores de esquerda desde a retomada das eleições diretas em 1982, com domínio do PSDB por sete mandatos consecutivos entre 1994 e 2022. O partido perdeu a gestão estadual e reduziu sua representação municipal para 21 prefeituras em 2024. Atualmente, o PSD detém a maior força municipal do estado com 206 prefeitos

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São Paulo nunca elegeu governador de esquerda desde a retomada das eleições diretas em 1982
Montagem g1/Divulgação Alesp/Mateus Bonomi/Estadão Conteúdo/LUIZ RODRIGUES/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Desde a retomada das eleições diretas em 1982, o estado de São Paulo nunca elegeu um governador pertencente a partidos de esquerda. Durante as últimas quatro décadas, a gestão do Palácio dos Bandeirantes foi alternada entre siglas como PMDB, PSDB e, mais recentemente, o Republicanos.

A hegemonia do PSDB e a estrutura organizacional

Após um período inicial de domínio do PMDB — com as vitórias de Franco Montoro (1982), Orestes Quércia (1986) e Luiz Antônio Fleury Filho (1990) —, o PSDB assumiu o controle do governo paulista em 1994 com Mário Covas. A legenda manteve a governabilidade do estado por sete mandatos consecutivos, sequência interrompida apenas em 2022 com a eleição de Tarcísio de Freitas.

De acordo com análise do cientista político Henrique Curi, professor da FESP-SP, a longevidade tucana não decorreu apenas do perfil do eleitorado, mas de uma robusta via organizacional. O partido implementou um sistema de monitoramento rigoroso, a chamada "intranet tucana", que permitia à Executiva estadual:

  • Acompanhar diretórios nas 645 cidades paulistas;
  • Recrutar lideranças tanto veteranas quanto "debutantes";
  • Aplicar métricas de desempenho para premiar ou punir diretórios locais.

A estratégia de expansão municipal foi decisiva. Entre 1988 e 1996, o número de prefeituras conquistadas pelo PSDB saltou de 5 e 221. Entre 2000 e 2016, a sigla apresentou candidatos a vereador em quase a totalidade dos municípios (98,7%), priorizando a população governada e a construção de alianças amplas, especialmente sob a gestão de Geraldo Alckmin.

Barreiras para a esquerda no interior

A ausência de governadores de esquerda é atribuída, em parte, à dificuldade de replicar a força do PT — concentrada na capital — nas cidades do interior. Regiões marcadas pelo agronegócio, cidades médias e polos industrializados apresentam maior resistência ao partido, que enfrentou obstáculos para acessar estruturas municipais já consolidadas por legendas como o PMDB e, posteriormente, o PSD.

O declínio da força tucana

O enfraquecimento do PSDB tornou-se evidente a partir de 2018, quando a diferença de votos no segundo turno para o governo estadual foi a menor desde 1994. Três fatores principais explicam a queda da legenda:

  1. Mudança na polarização: O papel de principal oposição ao PT, exercido pelo PSDB até 2014, foi absorvido por Jair Bolsonaro a partir de 2018. A tentativa de aproximação com o bolsonarismo, seguida pelo rompimento de João Doria durante a pandemia, deixou o partido sem identidade clara perante o eleitorado.
  2. Crise interna e perda de quadros: A saída de lideranças como Geraldo Alckmin, Floriano Pesaro, Mara Gabrilli e Carlos Sampaio fragilizou a coesão partidária.
  3. Perda do governo estadual: A derrota em 2022 retirou do partido o "motor" que sustentava a máquina municipal e o monitoramento dos diretórios.

Cenário atual nas prefeituras

O impacto da desestruturação reflete-se nos dados das eleições municipais de 2024. O PSDB sofreu uma redução drástica, caindo de 173 para apenas 21 prefeituras no estado. A legenda não elegeu prefeito em nenhuma capital e perdeu representação na Câmara Municipal de São Paulo.

Atualmente, o PSD consolidou-se como a maior força municipal do estado, com 206 prefeitos, seguido pelo PL (104), Republicanos (84) e MDB.

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