Seis candidatos ao governo de Minas Gerais passam por sabatinas sobre a gestão do estado
Seis candidatos ao governo de Minas Gerais participaram de sabatinas conduzidas por Mara Pinheiro e Sérgio Marques. O debate abordou a dívida estadual de R$ 208,87 bilhões, o déficit projetado de R$ 7,67 bilhões para 2027 e indicadores de segurança e educação
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Seis candidatos ao governo de Minas Gerais passaram por sabatinas conduzidas pelos jornalistas Mara Pinheiro e Sérgio Marques na última semana. As entrevistas, transmitidas ao vivo e posteriormente disponibilizadas em plataformas digitais, envolveram os nomes de Flávio Roscoe (PL), Alexandre Kalil (PDT), Patrus Ananias (PT), Gabriel Azevedo (MDB), Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Mateus Simões (PSD), selecionados com base na pesquisa Datafolha de 11 de setembro.
Gestão Fiscal e Endividamento
A situação financeira do estado foi um dos pontos centrais das discussões. Dados da Secretaria de Estado de Fazenda (SEF-MG), atualizados em 31 de agosto de 2026, confirmam que a dívida total de Minas Gerais soma R$ 208,87 bilhões. Desse total, R$ 188,19 bilhões são destinados à União e estão sendo quitados via Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Outros R$ 14,3 bilhões referem-se a contratos com instituições como BNDES, Bird e BID, enquanto R$ 6,3 bilhões englobam passivos como depósitos judiciais e o IPSM.
Sobre a execução desses pagamentos, o governador Mateus Simões afirmou ter quitado valores que divergem dos registros oficiais dos últimos 24 meses. Segundo a SEF-MG, entre setembro de 2024 e setembro de 2026, o estado pagou cerca de R$ 7 bilhões à União (R$ 6 bilhões via RRF e R$ 931,44 milhões via Propag). A Secretaria de Estado de Governo (Segov) justificou que o governador considerou o montante acumulado desde agosto de 2022.
Ainda sobre o orçamento, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027, sancionada em agosto de 2026, projeta um déficit de R$ 7,67 bilhões. A estimativa baseia-se em uma receita de R$ 142,79 bilhões contra despesas de R$ 150,46 bilhões. No mesmo documento, constam isenções fiscais previstas em R$ 26,21 bilhões, sendo a maior parte (R$ 22,78 bilhões) referente a renúncias de ICMS.
Segurança Pública e Educação
No campo da segurança, Flávio Roscoe mencionou a quantidade de mandados de prisão pendentes no estado. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de 16 de setembro de 2026, indicam 18.122 mandados em aberto, mas apenas 29% (5.254) são de prisões por condenação; a maioria (44%) refere-se a prisões preventivas. A assessoria do candidato informou que ele utilizou dados de 2025, que apontavam 22.761 mandados.
Sobre a proteção à mulher, confirmou-se a existência de um plantão 24 horas da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher em Belo Horizonte, a única unidade com funcionamento ininterrupto entre as 69 delegacias especializadas do estado.
Na educação, Minas Gerais alcançou a 8ª posição no ranking nacional do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 para o ensino médio da rede estadual, com nota 4,5, conforme dados divulgados em agosto de 2026.
Infraestrutura e Serviços Públicos
A gestão de serviços públicos também foi debatida:
- Educação: Patrus Ananias questionou a gestão de 95 escolas. O governo realizou, em 2026, um leilão para a concessão de serviços não pedagógicos (limpeza, vigilância e manutenção) por 25 anos. O ensino, currículo e gestão pedagógica permanecem sob controle estatal.
- Transporte: Os contratos de concessão do transporte coletivo por ônibus de Belo Horizonte, firmados em 2008, têm vigência até 15 de novembro de 2028.
- Taxas: Cleitinho Azevedo mencionou a redução da taxa de licenciamento anual de veículos (TRLAV), fruto de lei de sua autoria de 2022. O valor caiu de R$ 135,95 (2022) para R$ 33,66 (2023), embora o candidato tenha admitido erro nos valores citados durante a entrevista.
Histórico Eleitoral
Quanto ao desempenho em pleitos anteriores, Alexandre Kalil foi reeleito prefeito de Belo Horizonte em 2020 com 784.307 votos (63,36%). Contudo, registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram votações superiores na cidade, como a de Fernando Pimentel em 2004 (872.601 votos) e a de Célio de Castro em 1996 (809.992 votos).