Sergio Moro lidera corrida ao governo do Paraná com 49% dos votos em pesquisa Quaest
Pesquisa Quaest indica liderança de Sergio Moro (PL) para o governo do Paraná com 49% dos votos válidos, seguido por Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD) com 15%. O cenário apresenta 18% de indecisos e 44% de eleitores que podem mudar de opinião
O senador Sergio Moro (PL) lidera a corrida ao governo do Paraná, com pouco mais de 49% dos votos válidos, segundo a pesquisa mais recente da Quaest. Com uma vantagem de 16 pontos percentuais sobre o segundo colocado, Requião Filho (PDT), Moro possui chances matemáticas de vencer a disputa ainda no primeiro turno, considerando a margem de erro.
Desafios da sucessão no PSD
Apesar da liderança de Moro, o cenário revela uma dificuldade do atual governador, Ratinho Junior (PSD), em transferir sua popularidade para seu sucessor indicado. Embora o governador detenha 68% de aprovação entre os eleitores e 65% dos entrevistados concordem que ele deva escolher quem o suceda no Palácio Iguaçu, apenas 15% declaram voto em Sandro Alex (PSD).
Sandro Alex ocupa a terceira posição na intenção de votos, ficando 22 pontos percentual atrás de Moro e 6 pontos atrás de Requião Filho. A baixa performance é atribuída, em parte, ao desconhecimento do candidato: 62% dos eleitores não o conhecem e apenas 21% sabem que ele é o apoiado por Ratinho Junior.
A definição da candidatura do PSD ocorreu apenas em 13 de abril, após negociações internas que geraram rupturas. Rafael Greca e Alexandre Curi, nomes especulados para a vaga, deixaram o partido para se filiar ao MDB e ao Republicanos, respectivamente. O grupo político foi reorganizado posteriormente, com Greca assumindo a vice de Sandro Alex e Curi concorrendo ao Senado.
Estratégias e polarização ideológica
A vantagem de Sergio Moro está ancorada em sua projeção nacional e em um discurso focado na polarização entre direita e esquerda. O ex-juiz da Lava Jato utiliza seu legado na operação para atrair o eleitorado antipetista, propondo transformar o estado em uma "fortaleza contra o PT". Essa estratégia é reforçada pelo apoio da família Bolsonaro, especialmente considerando que Flávio Bolsonaro detém 42% das intenções de voto no Paraná, enquanto o presidente Lula registra 24%.
Já Requião Filho concentra a força do eleitorado de esquerda e lulista, contando com uma coligação ampla, já que o PT não lançou candidatura própria. No entanto, o candidato do PDT enfrenta alta rejeição, sendo o nome que 44% dos eleitores jamais votariam — índice superior aos 33% de rejeição de Moro. A dependência da imagem de Lula é vista como um limitador para a expansão de Requião Filho entre eleitores independentes (17%) e de direita (5%).
Cenário de indecisão e grupos em disputa
Apesar da liderança inicial de Moro, a disputa permanece aberta, pois a soma de indecisos e eleitores que podem mudar de opinião ultrapassa 60% do eleitorado. Especificamente, 18% se declaram indecisos e 44% dos que já escolheram um candidato admitem a possibilidade de alteração no voto.
O perfil dos indecisos é composto majoritariamente por mulheres e jovens de 16 a 34 anos. No recorte de gênero, Moro apresenta um gap significativo, com maior aceitação entre homens. Requião Filho é o único dos três principais candidatos com maior apoio feminino. Outro segmento estratégico em disputa é o de eleitores com menor renda e escolaridade.
Com a campanha oficial iniciada em 16 de agosto e a votação marcada para 4 de outubro, o grupo de Sandro Alex aposta na mobilização da máquina pública e na estrutura do PSD nos municípios para repetir o crescimento observado por Ratinho Junior em 2022. Já a estratégia de Moro deve focar na manutenção de sua base e na prevenção de desgastes, evidenciada pela decisão de não participar do primeiro debate na TV aberta.