Trump classifica presidente Lula como volátil e afirma que não dedica atenção ao líder brasileiro
Em entrevista ao site Axios, Donald Trump chamou o presidente Lula de "muito volátil" e afirmou não dedicar atenção ao líder brasileiro. O presidente dos Estados Unidos também descreveu o Brasil como um país politicamente complicado. Lula rebateu pedindo respeito ao processo eleitoral brasileiro
Donald Trump classificou o presidente Lula como "muito volátil" e afirmou que não dedica atenção ao líder brasileiro, declarando que "não poderia se importar menos" com ele. As afirmações foram feitas em entrevista ao site Axios, publicada nesta sexta-feira (19), na qual Trump mencionou ter observado discursos de Lula e notado essa instabilidade.
As declarações ocorrem em um período de desgaste nas relações bilaterais, marcado pela imposição de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e pela classificação das facções criminosas PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas pelo governo norte-americano.
Recentemente, ambos os presidentes estiveram na França para a cúpula do G7 em Évian-les-Bains, onde trocaram cumprimentos breves na terça-feira (16). Na quarta-feira (17), Trump confirmou ter dialogado com Lula, embora não tenha detalhado o teor da conversa, e descreveu o Brasil como um "país politicamente complicado". Em resposta, o presidente brasileiro afirmou que o líder dos Estados Unidos deve respeitar o processo eleitoral do Brasil e aprender com a civilidade das eleições brasileiras.
Ainda em suas análises sobre lideranças globais, Trump contrastou a postura de Lula com a do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, a quem definiu como sólido e sereno, apesar de ser "duro". O presidente dos Estados Unidos também destacou a inteligência de Xi Jinping, da China, ao argumentar que governar qualquer nação exige capacidades especiais.
Durante a entrevista, Trump confundiu a identidade dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio e Eduardo. O equívoco aconteceu um dia após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenar Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão por tentativa de interferir no julgamento do pai em relação a uma trama golpista. O ex-deputado, que reside nos Estados Unidos, ainda não foi preso, pois a sentença não transitou em julgado e cabe recurso. Além disso, Trump associou erroneamente Eduardo a uma pré-candidatura presidencial, função que, na realidade, cabe ao irmão, Flávio Bolsonaro, que não responde a processo.