TSE analisa com a Meta a operação de algoritmos e o alcance de candidatos nas redes
O TSE reuniu-se com a Meta e as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro para analisar o impacto de algoritmos no alcance de candidatos. O encontro ocorreu após denúncias de prejuízos na circulação de conteúdo e investimentos em publicidade digital que atingiram R$ 290 milhões
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) intensificou a interlocução com a Meta e representantes de campanhas eleitorais para analisar a operação de algoritmos de redes sociais e possíveis impactos no alcance de candidatos. A movimentação ocorre a quatro dias do pleito, em meio a diversas disputas judiciais sobre a circulação de conteúdo político em plataformas digitais.
Em reunião realizada na noite de terça-feira, a Justiça Eleitoral ouviu a Meta e advogados das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O encontro foi motivado por uma ação do PT, que alega prejuízos à candidatura do presidente Lula devido à atuação da plataforma. A equipe de Flávio Bolsonaro também integrou a discussão, sustentando que enfrenta perdas semelhantes e buscando evitar que apenas o PT seja reconhecido como prejudicado.
Disputas judiciais e manipulação de conteúdo
O embate jurídico se estende a outras frentes. A campanha de Flávio Bolsonaro apresentou nova iniciativa alegando manipulação de algoritmos do Google. Paralelamente, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, recebeu petição sobre canais ligados ao entorno de Lula, com menções ao deputado André Janones. Este caso específico já passou por intervenções da Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral e do próprio ministro.
Entre as medidas recentes, destacam-se:
- A suspensão do canal Exército do Lula por determinação de Nunes Marques, após pedido da campanha de Flávio Bolsonaro.
- O pedido do PT para a remoção de 255 perfis e a compensação por alcance perdido na Meta.
- Esclarecimentos prestados pela Meta após a inteligência artificial da empresa gerar a imagem Flávio 22, mas recusar a criação de conteúdo similar para Lula 13.
Impacto financeiro e fiscalização
A centralidade da Meta no processo eleitoral é refletida no volume de investimentos em publicidade digital. A empresa, que controla Instagram, Facebook e WhatsApp, registrou um salto expressivo nos gastos das campanhas: o montante, que era de aproximadamente R$ 23 milhões em 2018, atingiu cerca de R$ 290 milhões na prestação de contas parcial do ciclo de 2026.
A gestão dessas plataformas também é alvo de críticas internas. O Comitê de Supervisão da Meta, órgão independente que conta com a participação do brasileiro Ronaldo Lemos, manifestou preocupação em nota divulgada nesta terça-feira (20). O conselho apontou falhas recorrentes na aplicação de normas eleitorais e cobrou maior transparência e consistência nas práticas de fiscalização da empresa.
Embora a inteligência artificial tenha sido a preocupação central do processo, a discussão sobre o alcance dos algoritmos ganhou relevância na reta final. Ainda não há definição sobre a dimensão dos impactos no resultado eleitoral, mas as controvérsias podem gerar sanções e novas ações judiciais mesmo após a votação.