Uso de bots e perfis falsos em redes sociais pode distorcer a percepção pública eleitoral
O uso de bots e perfis falsos em redes sociais busca simular apoio a candidatos e temas eleitorais. Segundo a pesquisadora Yasmin Curzi, a prática interfere no debate público, mas não há provas de que converta eleitores. A automação de contas também é empregada para fins institucionais, como o monitoramento de projetos de lei
A utilização de bots e perfis falsos em redes sociais pode distorcer a percepção pública sobre a popularidade de candidatos e a relevância de temas durante o processo eleitoral. Enquanto o bot é definido como uma conta automatizada para interações programadas, o perfil falso consiste em contas criadas para simular a identidade de pessoas reais.
Impacto no debate público
A estratégia de inundar publicações com centenas ou milhares de mensagens, seja para defender um candidato ou atacar adversários, visa criar a impressão de que determinada ideia possui maior apoio do que a realidade demonstra. Esse mecanismo funciona como um reforço para quem já compartilha daquela opinião, simulando um consenso inexistente.
Yasmin Curzi, professora da FGV e pesquisadora de discurso de ódio, afirma que essas ferramentas interferem no debate público, mas ressalta que não há evidências de que consigam converter eleitores ou que exista um vínculo direto entre a atuação em redes sociais e a eleição de um candidato.
Diferentes finalidades da automação
Apesar do uso em campanhas, a automação de contas não se restringe a atividades ilegais. Existem robôs programados para finalidades institucionais e positivas, como o monitoramento automatizado de ações do poder público e o acompanhamento de projetos de lei.