Política

Votação de Flávio Bolsonaro cresce em municípios com maior concentração de população evangélica

31 de Outubro de 2026 às 07:35 3 min de leitura

Lula (PT) foi reeleito com 51,8% dos votos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) obteve 48,2%. Dados do Censo 2022 indicam que o candidato do PL teve maior desempenho em cidades com mais de 30% de população evangélica. A correlação foi mais evidente no Centro-Oeste e inversa no Nordeste

-0:00
Votação de Flávio Bolsonaro cresce em municípios com maior concentração de população evangélica
Paulo Pinto e Joédson Alves/Agencia Brasil

A reeleição de Lula (PT) para um quarto mandato, confirmada pelo TSE com 51,8% dos votos válidos contra 48,2% de Flávio Bolsonaro (PL), revelou padrões geográficos e demográficos distintos. O cruzamento de dados da votação com o Censo 2022 do IBGE indica que o desempenho do senador do PL foi superior em municípios com maior concentração de população evangélica.

Correlação entre religião e votação

A vantagem eleitoral entre os candidatos inverteu-se conforme a proporção de evangélicos em cada cidade. Nos 502 municípios onde esse grupo representa até 10% da população, Lula obteve 68,5% dos votos, enquanto Flávio registrou 31,5%. Essa liderança do PT persistiu, embora reduzida, na faixa de 10% a 20% de evangélicos, com 61,3% dos votos contra 38,7% do PL.

O equilíbrio ocorreu em 1.819 municípios com incidência de evangélicos entre 20% e 30%, onde Lula venceu por uma margem estreita: 51,3% contra 48,7%. A partir de 30% de presença evangélica, o cenário mudou:

  • Entre 30% e 40%: Flávio alcançou 54,2% e Lula 45,8% (973 municípios).
  • Entre 40% e 50%: O placar foi de 54,6% para Flávio e 45,4% para Lula.
  • Acima de 50%: Nos 58 municípios com maioria evangélica, Flávio obteve 55,2% e Lula 44,8%.

Disparidades regionais

A relação entre a fé evangélica e a escolha do candidato não foi uniforme em todo o território nacional. No Centro-Oeste, a correlação foi mais nítida, com 42% das cidades apresentando simultaneamente alta densidade de evangélicos e votação expressiva no candidato do PL. Esse padrão foi observado em capitais como Goiânia, Campo Grande e Cuiabá, com vantagem ainda maior para Flávio em Anápolis (GO).

No Nordeste, principal reduto de Lula, a tendência foi oposta. Em 55% das cidades, a baixa proporção de evangélicos coincidiu com a baixa votação de Flávio. Exemplos disso são Salvador, Teresina e Juazeiro do Norte (CE), esta última marcada por romarias católicas.

Já na região Sul, a religião não foi o fator determinante. Flávio Bolsonaro venceu com folga tanto em Arroio do Padre (RS) — a cidade mais evangélica do país — quanto em Montauri (RS), que possui a menor proporção de evangélicos do Brasil. O mesmo ocorreu em Florianópolis (SC) e Caxias do Sul (RS), cidades de maioria católica.

No Norte, o comportamento foi divergente do Centro-Oeste: mesmo em áreas do Amazonas e Pará com alta presença evangélica, a votação de Flávio manteve-se em níveis baixos ou intermediários.

Contexto e perfil

Os dados municipais corroboram a pesquisa Datafolha realizada em 6 e 7 de outubro, que apontava 69% de intenção de voto para Flávio entre os evangélicos, contra 25% de Lula. Diferente de seu pai, Jair Bolsonaro, que é católico, o senador Flávio Bolsonaro foi batizado na fé evangélica.

Embora as variáveis de religião e voto tenham se movimentado juntas em diversas regiões, a geografia eleitoral é resultado de múltiplos fatores, e a proporção religiosa não explica, isoladamente, a decisão do eleitor.

Notícias Relacionadas