Política

Votos de candidaturas alternativas migram para líderes da polarização em quatro das cinco regiões analisadas

30 de Setembro de 2026 às 09:56 3 min de leitura

Pesquisas da Quaest em cinco unidades da federação indicam queda nas intenções de voto para a terceira via e migração para os líderes locais. Em Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, o movimento ampliou a vantagem de Lula ou Flávio Bolsonaro. Em Minas Gerais, ambos os candidatos cresceram quatro pontos, mantendo o equilíbrio na disputa

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Votos de candidaturas alternativas migram para líderes da polarização em quatro das cinco regiões analisadas
Luiz Roberto/TSE

A dinâmica do comportamento eleitoral no Brasil, evidenciada por dados recentes, reflete a teoria da "deserção estratégica" formulada pelo cientista político Gary Cox em 1997. Segundo a obra Making Votes Count, o voto útil ocorre quando o eleitor, ao perceber a inviabilidade de seu candidato preferido, migra para a opção com chances reais de vitória para evitar que o candidato de maior rejeição vença a disputa.

Para que esse fenômeno aconteça, são necessárias três condições: o interesse do eleitor no resultado final, a clareza sobre quem são os candidatos viáveis e a disseminação dessa informação, papel desempenhado pelas pesquisas eleitorais.

Impacto nas intenções de voto

Dados de três rodadas da Quaest, realizadas entre 8 e 29 de setembro, em cinco unidades da federação, demonstram a redução do espaço para candidaturas fora da polarização. O grupo composto por Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) apresentou queda, com a migração de votos para os líderes locais.

O movimento variou conforme a liderança em cada região:

  • Pernambuco: O bloco da terceira via recuou de 10% para 6%. Nesse cenário, o presidente Lula (PT) subiu de 51% para 58%, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) oscilou entre 21% e 20%, ampliando a vantagem do petista de 30 para 38 pontos.
  • Rio de Janeiro: A terceira via caiu de 12% para 8%. Flávio Bolsonaro cresceu de 34% para 38%, enquanto Lula passou de 32% para 31%, elevando a dianteira do senador de 2 para 7 pontos.
  • São Paulo: As intenções de voto fora da polarização recuaram de 15% para 13%. Flávio Bolsonaro subiu de 31% para 36%, enquanto Lula manteve-se em 30%, expandindo a vantagem bolsonarista de 1 para 6 pontos.
  • Distrito Federal: O conjunto de candidatos alternativos caiu de 24% para 16%, com destaque para a queda de Caiado, que recuou de 13% para 8%. Flávio Bolsonaro subiu para 38%, abrindo 6 pontos de vantagem sobre Lula.

O cenário de Minas Gerais

Minas Gerais apresentou a única exceção à tendência de ampliação de vantagem para um único líder. Embora a terceira via tenha recuado de 19% para 14% após a alta de Augusto Cury, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro cresceram quatro pontos simultaneamente. A vantagem do presidente, fixada em 4 pontos, foi consolidada, mantendo o estado como o mais equilibrado dos cinco analisados.

A ausência de uma liderança clara em Minas Gerais impede que o voto útil beneficie apenas um dos lados, diferindo da lógica observada nas demais regiões, onde o eleitor fortalece quem já lidera a disputa.

Tendência para o primeiro turno

A análise dos dados indica que a deserção estratégica tende a se intensificar conforme a data da eleição se aproxima. A consolidação da hierarquia entre os candidatos, validada pelas pesquisas, sinaliza ao eleitor o custo de manter a preferência em nomes sem viabilidade real, acelerando a drenagem de votos das candidaturas intermediárias para os polos da polarização.

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