Saúde

Adolescente de 16 anos trata doença rara após ganhar mais de 40 quilos em um ano

25 de Junho de 2026 às 09:03

Um adolescente de Curitiba foi diagnosticado com a doença de Cushing após ganhar mais de 40 kg em 2025 devido a um tumor na hipófise. O jovem passou por uma cirurgia endonasal em dezembro para a remoção da massa e segue em reposição hormonal. O paciente perdeu 15 kg no primeiro semestre de 2026 e permanece em acompanhamento médico

Adolescente de 16 anos trata doença rara após ganhar mais de 40 quilos em um ano
Arquivo Pessoal

Um adolescente de 16 anos, residente em Curitiba, enfrentou um ganho de peso drástico e rápido ao longo de 2025, saltando de menos de 70 kg no início do ano para 113 kg ao final do período. O quadro, que envolvia aumento excessivo do apetite e dores de cabeça, foi inicialmente confundido com questões metabólicas, apesar de o jovem manter uma rotina ativa com três aulas semanais de muay thai.

A investigação diagnóstica avançou em setembro de 2025, após Gustavo de Oliveira procurar atendimento médico devido a uma lesão no tornozelo ocorrida durante o treino. Embora a radiografia não tenha indicado fratura, a médica do pronto-socorro solicitou uma reavaliação detalhada, encaminhando o paciente ao Hospital Pequeno Príncipe. Naquele momento, o adolescente apresentava fadiga extrema e dificuldade respiratória.

Em outubro, exames confirmaram que Gustavo sofria da doença de Cushing, uma condição rara com incidência estimada de um caso para cada 1 মিলhão de crianças anualmente. A enfermidade é causada por um tumor benigno na hipófise, glândula situada na base do cérebro. Essa massa provoca a superprodução do hormônio ACTH, que estimula as glândulas suprarrenais a liberarem cortisol em excesso. O desequilíbrio hormonal resulta em inchaço, rosto arredondado, acúmulo de gordura no tórax e ganho de peso acentuado.

Para tratar a patologia, o neurocirurgião Carlos Mattozo realizou, em dezembro de 2025, uma cirurgia de remoção do tumor. O procedimento, com duração de duas horas, foi executado via endonasal, utilizando câmeras de fibra ótica e ferramentas precisas através do osso esfenoide, sem a necessidade de cortes externos no crânio.

No período pós-operatório, o paciente apresentou prostração, cefaleia e uma queda brusca nos níveis de cortisol, reflexo da interrupção do estímulo anormal exercido pelo tumor sobre as glândulas suprarrenais. Atualmente, Gustavo segue em reposição hormonal e monitoramento para estabilizar a interação entre a hipófise e as suprarrenais.

O impacto do excesso de cortisol deixou sequelas na pressão arterial e em órgãos como coração, fígado e olhos. No entanto, o adolescente já perdeu cerca de 15 quilos no primeiro semestre de 2026 e é considerado em remissão, demandando acompanhamento médico anual para prevenir a recidiva do tumor.

O caso evidencia a complexidade do diagnóstico da doença de Cushing, que pode levar até dois anos para ser identificado, resultando frequentemente em tratamentos ineficazes. A demora na detecção pode levar a desfechos graves, como infartos, devido aos danos em órgãos vitais e alterações pressóricas.

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