Saúde

Adolescente no Reino Unido recebe diagnóstico de endometriose após ter sintomas negligenciados por médicos

31 de Agosto de 2026 às 15:02 3 min de leitura

Uma jovem de 14 anos no Reino Unido foi diagnosticada com endometriose após ter sintomas negligenciados por profissionais de saúde. A doença afeta entre 5% e 15% das mulheres no Brasil e cerca de 10% no Reino Unido, com diagnósticos que podem levar até dez anos

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Adolescente no Reino Unido recebe diagnóstico de endometriose após ter sintomas negligenciados por médicos
BBC

A dificuldade no diagnóstico precoce da endometriose em adolescentes é evidenciada pelo caso de Grace, uma jovem de 14 anos de Yorkshire, no Reino Unido. Desde os 13 anos, a paciente enfrentou dores intensas durante o período menstrual, descritas como a sensação de órgãos sendo dilacerados, o que a levava frequentemente ao hospital. Mesmo com a necessidade de analgésicos fortes, como morfina, co-codamol e tramadol, Grace teve seus sintomas negligenciados por profissionais de saúde, que atribuíram a dor a causas como ansiedade, cistos, síndrome do intestino irritável ou cólicas comuns.

A jovem foi informada repetidamente que a endometriose — doença incurável caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero — não poderia afetá-la devido à sua idade. O diagnóstico positivo só ocorreu após a insistência da família em consultar um segundo médico particular, já que nem o médico de família nem o primeiro especialista consultado reconheceram a condição.

Impactos na saúde e diagnóstico tardio

A endometriose provoca sintomas debilitantes, incluindo fadiga, menstruação intensa e dor pélvica. No Reino Unido, o NHS indica que a doença afeta cerca de 10% das mulheres. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que a prevalência seja entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva, período que se estende da primeira menstruação (geralmente entre 10 e 14 anos) até a menopausa.

O tempo para a confirmação da doença é alarmante:

  • Reino Unido: média de nove anos para mulheres mais velhas.
  • Brasil: a Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE) estima um intervalo de 7 a 10 anos para o diagnóstico.

A detecção precoce em adolescentes é dificultada porque, nos estágios iniciais, a ultrassonografia pode não revelar a patologia, embora novos exames estejam em desenvolvimento.

Consequências físicas e psicossociais

Além da dor física, a doença impacta a fertilidade. Grace foi alertada que danos nos órgãos reprodutivos podem dificultar a gravidez após os 30 anos. No âmbito emocional, a ginecologista pediátrica Gail Busby ressalta que a dor crônica durante a adolescência aumenta a probabilidade de depressão e ansiedade, prejudicando o desenvolvimento social e educacional das jovens.

Busby enfatiza que, embora quase 80% das adolescentes apresentem cólicas, a ausência em atividades escolares, aulas de educação física e o isolamento social são sinais de que os sintomas não são normais.

Tratamento e conscientização

Para tentar mitigar os sintomas, Grace passou por uma laparoscopia para a remoção do tecido lesionado e foi orientada a utilizar anticoncepcionais hormonais para retardar o crescimento da doença.

A organização Endometriosis UK reforça que a patologia pode se desenvolver em qualquer idade após a menarca e defende a urgência de melhor educação sobre saúde menstrual para jovens. O objetivo é evitar que a próxima geração sofra com a negligência médica e a demora no diagnóstico, garantindo que a dor relatada por adolescentes seja levada a sério pelos profissionais de saúde.

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