Adolescente no Reino Unido recebe diagnóstico de endometriose após ter sintomas negligenciados por médicos
Uma jovem de 14 anos no Reino Unido foi diagnosticada com endometriose após ter sintomas negligenciados por profissionais de saúde. A doença afeta entre 5% e 15% das mulheres no Brasil e cerca de 10% no Reino Unido, com diagnósticos que podem levar até dez anos
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A dificuldade no diagnóstico precoce da endometriose em adolescentes é evidenciada pelo caso de Grace, uma jovem de 14 anos de Yorkshire, no Reino Unido. Desde os 13 anos, a paciente enfrentou dores intensas durante o período menstrual, descritas como a sensação de órgãos sendo dilacerados, o que a levava frequentemente ao hospital. Mesmo com a necessidade de analgésicos fortes, como morfina, co-codamol e tramadol, Grace teve seus sintomas negligenciados por profissionais de saúde, que atribuíram a dor a causas como ansiedade, cistos, síndrome do intestino irritável ou cólicas comuns.
A jovem foi informada repetidamente que a endometriose — doença incurável caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero — não poderia afetá-la devido à sua idade. O diagnóstico positivo só ocorreu após a insistência da família em consultar um segundo médico particular, já que nem o médico de família nem o primeiro especialista consultado reconheceram a condição.
Impactos na saúde e diagnóstico tardio
A endometriose provoca sintomas debilitantes, incluindo fadiga, menstruação intensa e dor pélvica. No Reino Unido, o NHS indica que a doença afeta cerca de 10% das mulheres. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que a prevalência seja entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva, período que se estende da primeira menstruação (geralmente entre 10 e 14 anos) até a menopausa.
O tempo para a confirmação da doença é alarmante:
- Reino Unido: média de nove anos para mulheres mais velhas.
- Brasil: a Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE) estima um intervalo de 7 a 10 anos para o diagnóstico.
A detecção precoce em adolescentes é dificultada porque, nos estágios iniciais, a ultrassonografia pode não revelar a patologia, embora novos exames estejam em desenvolvimento.
Consequências físicas e psicossociais
Além da dor física, a doença impacta a fertilidade. Grace foi alertada que danos nos órgãos reprodutivos podem dificultar a gravidez após os 30 anos. No âmbito emocional, a ginecologista pediátrica Gail Busby ressalta que a dor crônica durante a adolescência aumenta a probabilidade de depressão e ansiedade, prejudicando o desenvolvimento social e educacional das jovens.
Busby enfatiza que, embora quase 80% das adolescentes apresentem cólicas, a ausência em atividades escolares, aulas de educação física e o isolamento social são sinais de que os sintomas não são normais.
Tratamento e conscientização
Para tentar mitigar os sintomas, Grace passou por uma laparoscopia para a remoção do tecido lesionado e foi orientada a utilizar anticoncepcionais hormonais para retardar o crescimento da doença.
A organização Endometriosis UK reforça que a patologia pode se desenvolver em qualquer idade após a menarca e defende a urgência de melhor educação sobre saúde menstrual para jovens. O objetivo é evitar que a próxima geração sofra com a negligência médica e a demora no diagnóstico, garantindo que a dor relatada por adolescentes seja levada a sério pelos profissionais de saúde.