Saúde

Alertas de smartwatch auxiliam homem a descobrir arritmia cardíaca em São José do Rio Preto

11 de Junho de 2026 às 09:04

Um homem de 35 anos de São José do Rio Preto (SP) diagnosticou fibrilação atrial após alertas de frequência cardíaca elevada em seu smartwatch. A condição foi confirmada por eletrocardiograma hospitalar, evidenciando que dispositivos vestíveis servem como rastreamento e não como diagnóstico definitivo

Um morador de São José do Rio Preto (SP), de 35 anos, descobriu ter fibrilação atrial após receber dois alertas sucessivos de frequência cardíaca elevada em seu smartwatch enquanto estava em repouso. A condição, uma arritmia que provoca contrações desorganizadas nos átrios e batimentos irregulares, foi confirmada apenas após a realização de um eletrocardiograma em ambiente hospitalar. O diagnóstico precoce é essencial, pois a fibrilação atrial pode causar a formação de coágulos no coração que, ao migrarem para o cérebro, elevam o risco de AVC.

Embora modelos modernos de relógios inteligentes monitorem continuamente a temperatura corporal, qualidade do sono, atividade física, oxigênio no sangue e frequência cardíaca — podendo inclusive oferecer eletrocardiogramas simplificados para identificar padrões de arritmias —, esses dispositivos não diagnosticam doenças. O cirurgião cardiovascular Ricardo Kazunori Katayose, da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, pontua que a tecnologia funciona como ferramenta de rastreamento, mas é insuficiente como estratégia isolada de triagem.

Essa limitação é evidenciada por um estudo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) em fevereiro, que analisou a detecção de hipertensão pelo Apple Watch. A pesquisa indicou que a ferramenta identificaria cerca de 41% das pessoas com pressão alta não diagnosticadas, deixando passar quase seis em cada dez casos. Para Katayose, a alta incidência de falsos negativos torna o método inapropriado para a detecção da hipertensão na população geral, já que a ausência de notificação não garante a inexistência de patologias.

A frequência cardíaca normal de um adulto em repouso varia entre 60 e 100 batimentos por minuto. Elevações persistentes fora de contextos de estresse ou exercício físico demandam investigação. No entanto, é necessário considerar que fatores como febre, dor, ansiedade, consumo de cafeína, álcool ou uso de medicamentos podem alterar os batimentos temporariamente.

A recomendação médica é que a busca por atendimento seja priorizada quando os alertas do dispositivo forem repetitivos, especialmente se ocorrerem em repouso ou vierem acompanhados de tontura, desmaio, dor no peito, falta de ar ou palpitações. O papel dos smartwatches na prática clínica é atuar como um sinal de alerta que estimula a conscientização e a procura por exames validados, servindo como um complemento que auxilia o paciente a chegar ao médico precocemente, sem substituir a avaliação profissional.

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