Saúde

Alimentos fermentados ganham destaque por auxiliarem no equilíbrio da saúde intestinal

15 de Julho de 2026 às 06:12

O consumo de alimentos fermentados, como iogurte e kimchi, é incentivado para equilibrar a saúde intestinal. A recomendação é de duas porções diárias de itens com culturas vivas, integrados a uma dieta rica em prebióticos. Pessoas com imunidade baixa ou doença intestinal irritável devem consultar médicos

Alimentos fermentados ganham destaque por auxiliarem no equilíbrio da saúde intestinal
Mary Conlon/AP

O interesse pela saúde intestinal tem crescido paralelamente ao aumento de casos de câncer colorretal em adultos jovens e à popularização de tratamentos personalizados do microbioma. Nesse cenário, a fermentação, técnica milenar de conservação de alimentos, ganhou destaque, sendo inclusive incentivada pelas diretrizes alimentares do governo federal dos Estados Unidos.

O consumo desses alimentos também foi impulsionado por adeptos do movimento "Tornar a América Saudável Novamente" (MAHA), liderado pelo Secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr. Embora algumas pautas do grupo sejam questionadas, a ciência respalda os benefícios dos alimentos fermentados.

O processo de fermentação e seus efeitos no organismo

A fermentação ocorre quando microrganismos naturais, como leveduras e bactérias, decompõem e preservam os alimentos. Esse processo promove a pré-digestão, alterando os compostos nutricionais e introduzindo bactérias que auxiliam no equilíbrio intestinal, competindo com microrganismos menos benéficos.

A Dra. Lisa Ganjhu, gastroenterologista da New York University Langone Health, observa que a humanidade utiliza essa técnica há séculos, mas a compreensão sobre como ela favorece a saúde do intestino é recente.

Tipos de alimentos e a presença de probióticos

Existem diferentes categorias de alimentos fermentados, que variam conforme a base e o processamento:

  • À base de leite: Iogurte e kefir.
  • À base de fibras: Kimchi, chucrute, beterraba ou vagem fermentadas, além de tempeh e pratos como idli e dosa, típicos do sul da Índia.

É importante diferenciar a presença de microrganismos vivos. Enquanto o iogurte fornece probióticos ativos, alimentos como o pão de fermentação natural podem não conter esses organismos devido ao calor do cozimento, embora ainda apresentem benefícios à saúde.

Recomendações de consumo e alertas

Para obter os benefícios reais, a recomendação é priorizar alimentos fermentados inteiros e evitar produtos processados em massa, como chocolates ou refrigerantes que se vendem como probióticos. A Dra. Ganjhu alerta que o excesso de açúcar nesses produtos pode alimentar bactérias negativas, anulando a vantagem dos fermentados. A orientação é buscar itens com a indicação de "culturas vivas".

Quanto à quantidade, a sugestão é a ingestão de duas porções diárias, diversificando os tipos de alimentos. Essa prática deve estar inserida em uma dieta equilibrada, rica em prebióticos fibrosos, que servem de alimento para as bactérias vivas (probióticos).

Contraindicações e adaptação do corpo

Embora sejam seguros para a maioria da população, alguns grupos devem ter cautela:

  1. Pessoas com sistema imunológico enfraquecido ou com doença intestinal irritável devem consultar um médico antes de iniciar o consumo.
  2. Início da dieta: É comum sentir gases, inchaço e outros desconfortos enquanto o intestino se adapta aos novos microrganismos.

A recomendação final é a introdução gradual desses alimentos na rotina, acompanhada de uma ingestão adequada de água.

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