Saúde

Anticoncepcionais com estrogênio podem aumentar o risco de trombose venosa cerebral em mulheres jovens

03 de Julho de 2026 às 06:11

Anticoncepcionais hormonais com estrogênio elevam o risco de trombose venosa cerebral e AVC, especialmente em mulheres com obesidade, tabagismo ou predisposição genética. A condição manifesta-se principalmente por dores de cabeça intensas e requer diagnóstico por tomografia para tratamento com anticoagulação ou procedimentos endovasculares. Métodos à base apenas de progesterona ou o DIU de cobre são indicados como alternativas seguras

Anticoncepcionais com estrogênio podem aumentar o risco de trombose venosa cerebral em mulheres jovens
Arquivo Pessoal

O uso de anticoncepcionais hormonais à base de estrogênio em mulheres jovens tem sido apontado como um fator de risco para a trombose venosa cerebral, condição que pode levar a quadros graves de acidente vascular cerebral (AVC). O estrogênio possui propriedades trombogênicas, o que favorece a coagulação sanguínea nas veias. Embora o efeito seja tolerável para a maioria das usuárias, o risco se potencializa quando há a presença de obesidade, sedentarismo, tabagismo ou predisposições genéticas à coagulação.

A trombose venosa cerebral ocorre quando um coágulo se instala nos seios venosos do cérebro, impedindo o escoamento do sangue. Como o crânio é uma estrutura rígida, esse represamento aumenta a pressão intracraniana, o que pode provocar um AVC isquêmico — quando a falta de oxigênio e nutrientes causa a morte de células cerebrais — ou um AVC hemorrágico, decorrente do rompimento de vasos devido à pressão. Em casos severos, ambos os processos podem ocorrer simultaneamente.

Um exemplo crítico desse quadro foi o de Tayla Sanchez, que aos 25 anos sofreu um AVC isquêmico desencadeado por trombose venosa cerebral. Durante 18 meses, a paciente buscou atendimento médico devido a dores de cabeça intensas, mas recebeu repetidamente o diagnóstico de enxaqueca. O quadro evoluiu para convulsões e coma induzido, resultando em quase três semanas de internação em estado crítico. O diagnóstico definitivo foi dificultado por problemas técnicos no aparelho de tomografia do hospital e pela negativa inicial do convênio para a realização do exame em outra unidade.

A dor de cabeça intensa é o sintoma mais comum da trombose venosa cerebral, presente em até 90% dos casos. Geralmente, manifesta-se como uma dor súbita, diferente de episódios anteriores, que não cede a analgésicos e pode vir acompanhada de náuseas, vômitos, confusão mental ou perda de força. A intensificação do sintoma durante esforços físicos, como tossir ou carregar peso, é um alerta importante. Quando o coágulo cresce, a condição pode progredir para sonolência, convulsões e coma.

No caso de Tayla, a recuperação foi marcada por sequelas motoras no lado direito do corpo, exigindo a reabilitação da fala, da escrita e da caminhada. A recuperação parcial foi auxiliada pela neuroplasticidade do cérebro jovem, que permite a reorganização de conexões neurais para compensar áreas lesionadas. Exames posteriores revelaram que a paciente possuía uma tendência trombótica genética, condição que contraindicava o uso de anticoncepcionais hormonais, os quais ela utilizava há dez anos.

Para evitar tais desfechos, a investigação de alterações genéticas da coagulação — como a mutação do fator V de Leiden ou deficiências de proteínas C, S e antitrombina — é considerada obrigatória em pacientes jovens com trombose e sem outros fatores de risco evidentes. A detecção precoce por meio de tomografia com angiotomografia é fundamental para mudar o curso do tratamento, que consiste na anticoagulação plena para impedir o crescimento do coágulo. Em situações específicas, podem ser realizados procedimentos endovasculares, como a trombectomia mecânica ou a trombólise local, para a remoção do coágulo via cateter.

Dados da Anvisa indicam que mulheres que utilizam anticoncepcionais combinados (estrogênio e progesterona), seja em pílulas, anéis ou adesivos, têm cerca de três vezes mais chances de desenvolver tromboembolismo venoso do que as que não utilizam. O risco é mais acentuado nos primeiros três meses de uso. Como alternativa segura, especialmente para mulheres com histórico de trombofilia, são recomendados os métodos à base apenas de progesterona, como implantes subdérmicos, pílulas de progesterona isolada e o DIU de levonorgestrel, além do DIU de cobre. Já os injetáveis de progesterona podem elevar o risco de trombose entre duas e quatro vezes, conforme a literatura médica.

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