Saúde

Anvisa alerta sobre riscos da reposição de testosterona em mulheres sem indicação médica

07 de Agosto de 2026 às 09:01

A Anvisa alertou nesta sexta-feira (7) sobre a reposição de testosterona em mulheres, indicando que o uso científico é restrito ao transtorno do desejo sexual hipoativo pós-menopausa via gel manipulado. A agência negou a existência de déficit natural do hormônio feminino e proibiu o uso de implantes subcutâneos para fins anabolizantes

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta nesta sexta-feira (7) sobre a reposição de testosterona em mulheres, motivada pelo crescimento nas notificações de eventos adversos nos últimos anos, com pico registrado em 2024. A agência rebate a disseminação de informações em redes sociais que sugerem a existência de um déficit natural do hormônio feminino, tornando sua reposição obrigatória para conter o envelhecimento ou tratar a menopausa.

De acordo com a Anvisa, tal afirmação é falsa. A testosterona está presente no organismo feminino em concentrações significativamente menores que nos homens, o que torna qualquer intervenção uma decisão clínica pontual e não um procedimento de rotina.

Indicações terapêuticas e riscos

A única indicação com respaldo científico para o uso de testosterona em mulheres é o transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH) após a menopausa. O tratamento é recomendado apenas após a exclusão de outras causas e quando abordagens prévias não surtiram efeito. Para esses casos, a diretriz médica orienta o uso de gel manipulado, em doses de 1 a 5 mg, e não a utilização de implantes subcutâneos (pellets).

O uso de implantes com finalidade anabolizante é proibido pela Anvisa. Apesar disso, o mercado persiste através de prescrições que mascaram a substância como tratamento para endometriose, síndrome dos ovários policísticos e menopausa, condições para as quais não há evidências de eficácia do hormônio.

A utilização de testosterona sem indicação, em doses excessivas ou associada a outras substâncias, amplia a probabilidade de efeitos colaterais, tais como:

  • Problemas cardiovasculares e dislipidemia (alteração nas gorduras do sangue que favorece placas nas artérias);
  • Danos ao fígado e problemas renais;
  • Alopecia (queda de cabelo e pelos) e acne;
  • Dependência psíquica.

Diferença entre hormônios na menopausa

Existe uma confusão comum em consultórios sobre a deficiência hormonal no climatério. A menopausa é caracterizada fisiologicamente pela queda do estradiol, o principal estrogênio feminino, e não da testosterona. Quando a terapia hormonal é indicada, ela deve envolver a reposição de estradiol e, para mulheres que possuem útero, a combinação com progesterona.

A dosagem de testosterona em exames de rotina durante a menopausa é desnecessária, pois valores baixos são esperados e compatíveis com a fisiologia da mulher nesse período.

Monitoramento e farmacovigilância

Dados de farmacovigilância indicam que a testosterona e a somatropina representam mais de 90% dos registros de eventos adversos relacionados a anabolizantes. A Anvisa ressalta que o aumento nas notificações pode refletir a maior conscientização de pacientes e profissionais, além da expansão de plataformas eletrônicas de registro, e não necessariamente um aumento proporcional nos problemas causados.

A agência enfatiza que a reposição hormonal deve ser baseada em exames, histórico de saúde e evidências científicas individuais. Pacientes e profissionais de saúde que identifiquem reações adversas podem realizar a notificação oficial por meio do sistema VigiMed.

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