Anvisa alerta sobre riscos de peptídeos injetáveis sem registro para fins estéticos e de performance
Órgãos reguladores e profissionais de saúde alertam sobre o uso de peptídeos sintéticos injetáveis sem aprovação da Anvisa para fins estéticos e de performance. Substâncias como BPC-157, TB-500 e GHK-Cu são comercializadas irregularmente, podendo causar infecções, reações inflamatórias e estimular tumores. A agência reafirma a inexistência de cosméticos injetáveis e baniu a manipulação de implantes hormonais conhecidos como chips da beleza
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A popularização de substâncias conhecidas como peptídeos em clínicas de estética, redes sociais e grupos de mensagens tem gerado alertas de profissionais de saúde e de órgãos reguladores. Promovidos como soluções para retardar o envelhecimento, estimular o colágeno, acelerar a recuperação muscular e melhorar a composição corporal, muitos desses produtos não possuem aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso clínico.
A repercussão do tema ganhou visibilidade recentemente através de um vídeo de humor da divulgadora científica Mari Krüger, que utilizou a ironia para alertar sobre a venda de peptídeos antienvelhecimento não autorizados. A publicação, que soma mais de 5,6 milhões de visualizações, reforça a urgência de discutir os perigos do uso indiscriminado dessas substâncias.
Do ponto de vista biológico, os peptídeos são cadeias curtas de aminoácidos produzidas naturalmente pelo organismo, funcionando como mensageiros que regulam processos como metabolismo, cicatrização, crescimento e resposta imunológica. Existem, inclusive, peptídeos aprovados e seguros, como a insulina — utilizada no controle do diabetes — e os análogos do GLP-1 (semaglutida, liraglutida e tirzepatida), indicados para obesidade. Tais medicamentos passaram por testes rigorosos em humanos antes de receberem a autorização da Anvisa.
No entanto, o mercado de performance e estética tem difundido substâncias sintéticas como o GHK-Cu, BPC-157 e TB-500. Embora sejam comercializados online e em clínicas, esses compostos não possuem registro na Anvisa para fins injetáveis. No caso do GHK-Cu, o uso é permitido apenas de forma tópica, em cremes e séruns, mas a aplicação injetável é proibida por falta de segurança e risco de reações imunológicas. Já o BPC-157 e o TB-500 apresentam resultados em estudos com ratos e células, mas carecem de evidências clínicas robustas em seres humanos.
A Anvisa esclarece que não existem cosméticos injetáveis; qualquer produto oferecido dessa forma é irregular. Em 2024, o órgão também baniu a comercialização e manipulação dos "chips da beleza", implantes hormonais que poderiam conter peptídeos.
O uso de substâncias experimentais injetáveis acarreta riscos graves, como infecções, contaminações microbiológicas e reações inflamatórias. A ausência de regulação implica que a procedência, a dosagem e a pureza dos produtos não são controladas, podendo conter metais pesados ou substâncias diferentes das declaradas no rótulo.
Além disso, há preocupações biológicas severas. Peptídeos que interferem em vias hormonais e no reparo muscular podem, teoricamente, estimular o crescimento de tumores ou interromper funções endócrinas normais. Como não há estudos de longo prazo em humanos, os impactos futuros do uso dessas substâncias permanecem desconhecidos.