Anvisa analisa recurso da Química Amparo contra suspensão de produtos com presença de bactéria
A Anvisa analisa nesta sexta-feira (13) recurso da Química Amparo contra a suspensão e o recolhimento de lotes de desinfetante, sabão líquido e detergente. A medida decorre de falhas na fabricação e da detecção da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes
A Diretoria Colegiada da Anvisa analisa, nesta sexta-feira (13), o recurso apresentado pela Química Amparo, fabricante da marca Ypê, contra a suspensão da produção e o recolhimento de lotes de desinfetante, sabão líquido para roupas e detergente lava-louças. A reunião, marcada para as 9h30 na sede do órgão em Brasília, deve decidir sobre a validade da Resolução 1.834/2026, publicada em 5 de maio, que afetou todos os lotes desses três produtos com numeração final 1.
A medida regulatória foi fundamentada em uma avaliação de risco sanitário realizada pela Anvisa em conjunto com a Vigilância Sanitária de Amparo e o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo. Durante a inspeção, ocorrida no fim de abril, foram detectados descumprimentos nas Boas Práticas de Fabricação, com falhas críticas nos sistemas de controle de qualidade e produção. O relatório técnico apontou a existência de corrosão em equipamentos de fabricação de lava-roupas e detergentes, problemas de conservação no tanque de manipulação de produtos para louças e a presença de resíduos de produtos devolvidos às linhas de envase.
O ponto central da preocupação sanitária é a identificação da bactéria *Pseudomonas aeruginosa* em mais de 100 lotes de produtos acabados. A própria fabricante havia detectado o microrganismo em lotes de lava-roupas em novembro de 2025. Embora a Ypê sustente que a inspeção não encontrou contaminação nos itens e que as imagens de irregularidades na fábrica retratam áreas sem contato com os produtos comercializados, a Anvisa mantém a avaliação de risco.
A *Pseudomonas aeruginosa* é um agente oportunista comum em ambientes úmidos, como solo e água. Para a população geral e pessoas com a pele íntegra, o risco de infecção é considerado baixo. No entanto, o perigo é elevado para indivíduos imunossuprimidos — como pacientes em tratamento oncológico, transplantados, pessoas com HIV ou usuários de corticoides —, além de bebês, idosos fragilizados e pessoas com queimaduras, feridas ou dermatites.
A exposição pode ocorrer pelo contato com a pele ou através de objetos que tiveram contato com os produtos, como talheres, pratos e roupas. No caso de roupas íntimas, toalhas e peças de bebês, a atenção deve ser maior devido ao contato prolongado com mucosas e pele sensível, sendo recomendada a lavagem dessas peças com outro produto. Quanto aos utensílios de cozinha, a orientação é o descarte imediato da esponja da pia caso tenha sido utilizada com os lotes afetados, para evitar a persistência da bactéria.
A Anvisa orienta que os consumidores não utilizem os produtos atingidos, mesmo com a suspensão temporária do recolhimento provocada pelo recurso administrativo da empresa. A agência reforça que a responsabilidade por informar a população sobre trocas e ressarcimentos é da fabricante, cujo Serviço de Atendimento ao Consumidor tem apresentado falhas.
Não há necessidade de busca por atendimento médico para quem utilizou os produtos e não apresenta sintomas. A recomendação é interromper o uso e monitorar a saúde. A procura por assistência médica deve ocorrer apenas em casos de irritação severa na pele, vermelhidão persistente, secreções, dor, febre, mal-estar ou alterações visuais e irritação nos olhos. Em situações de contato com mucosas ou feridas, a orientação é lavar a área com água abundante imediatamente.
A Química Amparo classificou a decisão da Anvisa como arbitrária e desproporcional, argumentando que a diluição do produto em máquinas de lavar reduz a carga bacteriana e que não há registros médicos de infecções causadas por roupas lavadas com detergentes domésticos. A empresa defende que as falhas apontadas na unidade de Amparo fazem parte de um plano de melhorias em execução.