Saúde

Anvisa autoriza a comercialização do medicamento Columvi para o tratamento de linfoma no Brasil

20 de Julho de 2026 às 15:07

A Anvisa autorizou a venda do Columvi (glofitamabe) no Brasil para adultos com linfoma difuso de grandes células B. O fármaco, indicado para casos de recaída ou falha em tratamentos iniciais, deve ser administrado com oxaliplatina e gencitabina

Anvisa autoriza a comercialização do medicamento Columvi para o tratamento de linfoma no Brasil
Nephron/Wikimedia Commons/CC BY-SA

A Anvisa autorizou, nesta segunda-feira (20), a comercialização do Columvi (glofitamabe) no Brasil. O medicamento é indicado para adultos com linfoma difuso de grandes células B, um dos subtipos mais agressivos do linfoma não Hodgkin, especificamente para pacientes que apresentaram recaída, não responderam aos tratamentos iniciais ou que não possuem indicação para o transplante autólogo de células-tronco.

O novo fármaco deve ser administrado em conjunto com os quimioterápicos oxaliplatina e gencitabina. A chegada dessa terapia amplia as possibilidades para pacientes com prognóstico desfavorável após a falha da primeira linha de tratamento, momento em que as opções terapêuticas costumam ser limitadas e a resposta a esquemas convencionais é menor.

Mecanismo de ação e imunoterapia

O glofitamabe integra a classe dos anticorpos monoclonais biespecíficos. Diferente dos anticorpos comuns, que focam em um único alvo, este medicamento se conecta simultaneamente a duas proteínas: a CD3, das células T (responsáveis pela imunidade), e a CD20, das células B que originaram o tumor.

Essa ligação cria uma ponte que aproxima as células de defesa das células cancerígenas, ativando os linfócitos T para identificar e destruir a massa tumoral. Por se tratar de uma imunoterapia, o tratamento requer monitoramento rigoroso, pois pode desencadear a síndrome de liberação de citocinas, que é uma resposta inflamatória intensa do sistema imune. Até o momento, não há estudos que comparem a eficácia do Columvi com as terapias CAR-T.

Acesso ao tratamento

Embora a aprovação no Diário Oficial da União permita a venda do medicamento no país, a disponibilidade no Sistema Único de Saúde (SUS) depende de avaliação prévia da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Já a cobertura por planos de saúde segue as normas estabelecidas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Sobre o Linfoma Não Hodgkin

O linfoma não Hodgkin (LNH) engloba mais de 80 tipos de câncer originados nos linfócitos. Essas células de defesa, que combatem infecções e circulam pelo baço, medula óssea, vasos linfáticos e linfonodos, podem sofrer alterações genéticas e se multiplicar descontroladamente, formando tumores em diversos órgãos.

O LDGCB é a variante agressiva mais comum desse grupo. Por evoluir rapidamente, demanda diagnóstico precoce. Enquanto o linfoma de Hodgkin é caracterizado pela presença de células de Reed-Sternberg e apresenta altas taxas de cura iniciais, os linfomas não Hodgkin possuem comportamentos e prognósticos variados entre seus diversos subtipos.

Sinais de alerta e diagnóstico

A identificação precoce é fundamental para aumentar as chances de cura. Os principais sintomas incluem:

  • Surgimento de caroços indolores (aumento de linfonodos) no pescoço, axilas ou virilha;
  • Febre persistente e suores noturnos intensos;
  • Fadiga e perda de peso sem causa aparente;
  • Coceira na pele;
  • Tosse ou falta de ar em casos de comprometimento torácico.

O tratamento do LNH é individualizado, variando conforme a extensão da doença e a condição do paciente, podendo envolver quimioterapia, radioterapia, transplante de medula óssea e terapias avançadas, como os anticorpos biespecíficos e células CAR-T.

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