Saúde

Anvisa monitora suspeitas de neuropatia óptica em pacientes que utilizam medicamentos para obesidade e diabetes

28 de Setembro de 2026 às 06:01 3 min de leitura

A Anvisa investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica em usuários de medicamentos agonistas de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro. A agência incluiu a condição na bula de fármacos com semaglutida como reação adversa muito rara. Não há comprovação de nexo causal entre os remédios e a doença

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A Anvisa monitora 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia) em pacientes que utilizam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, indicados para o tratamento de obesidade e diabetes. Os relatos envolvem o uso de Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro.

A agência ressalta que a ocorrência da doença e o uso do fármaco na mesma notificação não comprovam nexo causal, e todos os casos seguem sob investigação.

Detalhamento das notificações e substâncias

Os registros constam no painel de farmacovigilância da Anvisa, que compila relatos de médicos, pacientes e indústrias farmacêuticas. Desde 2018, o sistema contabiliza 24 suspeitas de Noia, das quais 12 estão ligadas a canetas de GLP-1. As demais notificações mencionam medicamentos oftalmológicos, antidiabéticos de outras classes, remédios oncológicos e imunomoduladores.

Entre os fármacos da classe GLP-1, a distribuição das notificações é a seguinte:

  • Ozempic: 5 casos;
  • Wegovy: 3 casos;
  • Wegovy FlexTouch: 2 casos;
  • Rybelsus: 2 casos;
  • Mounjaro: 1 caso.

No total, 12 registros citam a semaglutida (princípio ativo do Ozempic, Wegovy e Rybelsus) e um cita a tirzepatida (Mounjaro).

O que é a neuropatia óptica isquêmica

A Noia caracteriza-se por uma lesão no nervo óptico, responsável por transmitir imagens do olho ao cérebro. A condição ocorre quando há a obstrução de pequenos vasos sanguíneos na parte frontal desse nervo, processo similar a um infarto, resultando na morte de células nervosas por falta de oxigênio e nutrientes.

O quadro geralmente se manifesta como uma perda súbita de visão em um dos olhos, normalmente sem dor, e a perda costuma ser definitiva. A doença é rara, mas mais comum em pessoas com vasos sanguíneos já comprometidos, como pacientes com diabetes, que possuem o endotélio (camada interna dos vasos) danificado, tornando o nervo mais vulnerável.

Análises científicas e medidas preventivas

Até o momento, não há estudos que comprovem a relação de causa e efeito entre os medicamentos e a Noia. Um levantamento publicado na JAMA Ophthalmology, que analisou mais de 1,6 mil prontuários, indicou um risco de quatro a sete vezes maior de Noia em usuários de semaglutida comparado a outras medicações. Contudo, os próprios autores apontam limitações na conclusão, pois a prevalência de diabetes entre os pacientes pode ser a causa real da doença.

Devido ao volume de notificações, a Anvisa determinou, em junho de 2025, que a Noia fosse incluída na bula dos medicamentos com semaglutida como uma reação adversa muito rara.

Recomendações e posicionamento das indústrias

Para quem possui indicação médica para tratar hipertensão, diabetes ou obesidade, o benefício do tratamento supera os riscos. No entanto, a suspensão do uso é recomendada para quem apresenta perda de visão recente ou já teve Noia. Pacientes diabéticos devem realizar exames de retina periodicamente.

O alerta é maior para o uso estético e sem prescrição médica. Como qualquer fármaco possui riscos, a utilização sem necessidade clínica pode não justificar a exposição a possíveis efeitos adversos.

Posicionamento das empresas:
A Novo Nordisk afirma que a semaglutida passou por robustos programas clínicos com mais de 49 milhões de pacientes/ano. Segundo a empresa, análises de ensaios controlados com placebo não demonstraram aumento na incidência de Noia, mantendo o perfil de benefício-risco favorável. A Eli Lilly informou que monitora ativamente a segurança de seus produtos e mantém diálogos contínuos com autoridades regulatórias sobre questões oftalmológicas.

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