Anvisa proibiu a produção e a venda de mercurocromo no Brasil há 25 anos
A Anvisa proibiu a fabricação e comercialização do mercurocromo no Brasil há 25 anos. A decisão ocorreu devido à presença de mercúrio na composição do antisséptico, seguindo orientações da Organização Mundial da Saúde
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a produção e a venda do mercurocromo no Brasil há 25 anos. A medida preventiva foi tomada devido à presença de mercúrio na composição do antisséptico, visando reduzir a exposição da população ao metal e evitar a contaminação do meio ambiente, seguindo diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O medicamento, cujo princípio ativo é a merbromina, foi criado em 1919 nos Estados Unidos por Hugh Hampton Young. Na época, antes da descoberta da penicilina e do surgimento dos antibióticos modernos, a solução era uma inovação crucial para prevenir infecções em pequenos ferimentos. A fórmula consistia em uma diluição de 2% do composto em água ou álcool — o que causava a sensação de ardor característica.
Riscos e limitações do uso
Embora o mercúrio estivesse integrado à estrutura química da molécula e não fosse metálico, a Anvisa e órgãos como a Food and Drug Administration (FDA), que reclassificou a substância como insegura em 1998, alertaram para os riscos do uso repetido ou em grandes áreas da pele. Em casos extremos, como a ingestão acidental do frasco, a substância poderia afetar o sistema nervoso e os rins.
Além da toxicidade, a eficácia do produto era questionada. A coloração vermelha da tintura dificultava a inspeção visual de possíveis complicações na ferida. Outro problema era a aplicação via espátula plástica, que podia transportar bactérias de um machucado para outro dentro do próprio frasco.
Evolução do tratamento de ferimentos
Atualmente, a medicina prioriza a limpeza adequada para preservar a cicatrização natural. O uso de antissépticos fortes para escoriações leves não é mais recomendado, pois podem lesionar células essenciais para a recuperação da pele.
Para cortes superficiais, arranhões e esfolamentos, a orientação atual de pediatras e infectologistas é a utilização exclusiva de água e sabão, método considerado tão efetivo quanto os antissépticos locais e sem riscos de irritação.
Diferenças entre mercurocromo e Merthiolate
É comum a confusão entre o mercurocromo e o Merthiolate, mas tratavam-se de produtos distintos. Enquanto o primeiro utilizava a merbromina, o Merthiolate era composto por timerosal. Ambos eram organomercuriais e foram amplamente utilizados no século 20.
Atualmente, a marca Merthiolate permanece no mercado, porém com uma formulação completamente diferente e segura, utilizando a clorexidina como agente antisséptico, substituindo o mercúrio por um composto sintético menos poluente e menos irritante.