Anvisa suspende ensaios clínicos de terapia celular da Novartis para tratamento de doenças autoimunes
A Anvisa suspendeu os ensaios clínicos da terapia rapcabtagene autoleucel, da Novartis, para o tratamento de doenças autoimunes no Brasil. A decisão ocorre após três mortes globais por reações imunológicas graves, mas mantém o monitoramento de voluntários já tratados e os estudos para leucemia e linfoma
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta segunda-feira (14), a interrupção imediata dos ensaios clínicos no Brasil de uma terapia celular experimental desenvolvida pela Novartis. A medida, publicada no Diário Oficial da União, proíbe a entrada de novos voluntários e a realização de novos procedimentos com o medicamento rapcabtagene autoleucel, conhecido como rap-cel.
A suspensão brasileira acompanha uma pausa global nos estudos após a confirmação de três mortes de pacientes em testes clínicos. As vítimas apresentaram uma reação imunológica grave, condição na qual o sistema de defesa do organismo reage de forma exagerada e ataca os próprios órgãos.
Funcionamento e aplicação da terapia CAR-T
O rap-cel utiliza a tecnologia CAR-T, um processo em que as células de defesa do próprio paciente são extraídas, modificadas em laboratório para identificar e combater alvos específicos e, posteriormente, reinseridas na corrente sanguínea.
Embora a técnica já apresente resultados positivos no tratamento de certos tipos de câncer, a abordagem estava sendo testada para doenças autoimunes, situações em que o sistema imunológico ataca o próprio corpo. No cenário brasileiro, os protocolos de fase 2 — etapa focada na segurança do fármaco em grupos maiores de pessoas — eram aplicados em pacientes com:
- Lúpus eritematoso sistêmico;
- Nefrite lúpica;
- Granulomatose com poliangeíte;
- Poliangeíte microscópica;
- Esclerose sistêmica cutânea difusa.
Monitoramento e segurança
Para os voluntários que já fazem parte dos protocolos no Brasil, o acompanhamento clínico deve ser mantido pelos pesquisadores, visto que a decisão da Anvisa não interrompe o monitoramento de quem já recebeu o tratamento.
A Novartis informou que a reação imunológica observada é um risco inerente às terapias CAR-T. A farmacêutica trabalha agora com comitês independentes de segurança para analisar as causas da falta de controle da resposta imunológica nesses casos e aprimorar a detecção precoce de sinais de alerta.
A suspensão é restrita às doenças autoimunes. Os estudos do rap-cel voltados para o tratamento de leucemia e linfoma continuam ativos, pois os índices de segurança registrados para esses pacientes permanecem dentro da normalidade esperada para a classe de medicamentos.