Saúde

Aquecimento dos oceanos expande habitat de bactéria que causa fasciíte necrosante nos Estados Unidos

15 de Agosto de 2026 às 06:01

O aquecimento dos oceanos expande a presença da bactéria Vibrio vulnificus para o norte dos Estados Unidos e Europa. O microrganismo causa a fasciíte necrosante via feridas abertas ou consumo de frutos do mar crus, apresentando letalidade de 20%. No leste americano, as infecções de feridas cresceram oito vezes entre 1988 e 2018

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Aquecimento dos oceanos expande habitat de bactéria que causa fasciíte necrosante nos Estados Unidos
CDC/James Gathany

O aumento da temperatura dos oceanos, impulsionado pelo aquecimento global, está expandindo o habitat da Vibrio vulnificus, bactéria conhecida por causar a fasciíte necrosante. Este microrganismo, que prospera em águas marinhas quentes e salobras, já é detectado em regiões mais ao norte da Costa Leste dos Estados Unidos, alcançando Connecticut e Nova York, além de se espalhar pelas águas do Mar Báltico e do norte da Europa.

A gravidade da infecção reside na capacidade da bactéria de liberar toxinas que destroem tecidos profundos, como vasos sanguíneos, nervos e músculos. Quando atinge a corrente sanguínea, a progressão da doença pode ser fatal em até 48 horas caso não haja intervenção médica. Embora a espécie Streptococcus do grupo A seja a causa mais comum dessa condição, a Vibrio vulnificus apresenta uma alta taxa de letalidade, com a morte de uma em cada cinco pessoas infectadas.

Registro de casos e incidência

Nos Estados Unidos, a incidência anual de infecções por Vibrio vulnificus varia entre 150 e 200 casos. No entanto, dados recentes indicam um crescimento expressivo: entre 1988 e 2018, as infecções de feridas por essa bactéria aumentaram oito vezes no leste do país.

Atualmente, a distribuição de casos em estados americanos revela a seguinte situação:

  • Maryland: 72 casos registrados até o fim de junho.
  • Flórida: 14 casos, com duas mortes.
  • Louisiana: nove casos, com cinco mortes.

O aumento de furacões e marés de tempestade, também ligados às mudanças climáticas, tem intensificado o contato humano com águas contaminadas, elevando os picos de infecção.

Formas de contágio e grupos de risco

A transmissão ocorre principalmente entre maio e outubro, nos meses de maior calor. A bactéria penetra no organismo através de feridas abertas ou lesões cutâneas durante a natação, a pesca ou o contato com águas costeiras. Outra via de contágio é o consumo de frutos do mar crus ou malcozidos, especialmente moluscos como as ostras, que podem estar contaminados. O manuseio desses alimentos por pessoas com cortes na pele também representa um risco direto de contrair a fasciíte necrosante.

Embora a doença seja rara, a vulnerabilidade é maior em grupos específicos, como:

  • Idosos;
  • Pessoas com diabetes;
  • Pacientes com doenças hepáticas, câncer ou HIV;
  • Indivíduos que utilizam medicamentos imunossupressores.

Sintomas e protocolos de tratamento

Os sinais iniciais de alerta incluem dor intensa, inchaço, vermelhidão e febre no local da lesão. Com a evolução do quadro, podem surgir bolhas, pus, úlceras e alterações na coloração da pele.

O tratamento é considerado uma corrida contra o tempo e envolve a administração de antibióticos intravenosos. Em situações críticas, é necessária a remoção cirúrgica do tecido danificado para conter a propagação da bactéria, o que pode resultar na amputação de membros. Um fator de preocupação para a medicina é a crescente resistência da Vibrio vulnificus a determinados antibióticos.

Medidas de prevenção

Para evitar a infecção, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) recomendam:

  1. Evitar o contato com águas marinhas ou salobras se houver cortes recentes, incluindo tatuagens ou piercings.
  2. Utilizar curativos impermeáveis para cobrir qualquer lesão, já que arranhões mínimos ou cortes causados por lâminas de depilação são portas de entrada para a bactéria.
  3. Não manusear peixes ou frutos do mar crus se possuir feridas abertas.
  4. Lavar imediatamente com água e sabão qualquer corte ocorrido durante a natação ou o preparo de alimentos marítimos.

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