Aquecimento dos oceanos expande habitat de bactéria que causa fasciíte necrosante nos Estados Unidos
O aquecimento dos oceanos expande a presença da bactéria Vibrio vulnificus para o norte dos Estados Unidos e Europa. O microrganismo causa a fasciíte necrosante via feridas abertas ou consumo de frutos do mar crus, apresentando letalidade de 20%. No leste americano, as infecções de feridas cresceram oito vezes entre 1988 e 2018
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O aumento da temperatura dos oceanos, impulsionado pelo aquecimento global, está expandindo o habitat da Vibrio vulnificus, bactéria conhecida por causar a fasciíte necrosante. Este microrganismo, que prospera em águas marinhas quentes e salobras, já é detectado em regiões mais ao norte da Costa Leste dos Estados Unidos, alcançando Connecticut e Nova York, além de se espalhar pelas águas do Mar Báltico e do norte da Europa.
A gravidade da infecção reside na capacidade da bactéria de liberar toxinas que destroem tecidos profundos, como vasos sanguíneos, nervos e músculos. Quando atinge a corrente sanguínea, a progressão da doença pode ser fatal em até 48 horas caso não haja intervenção médica. Embora a espécie Streptococcus do grupo A seja a causa mais comum dessa condição, a Vibrio vulnificus apresenta uma alta taxa de letalidade, com a morte de uma em cada cinco pessoas infectadas.
Registro de casos e incidência
Nos Estados Unidos, a incidência anual de infecções por Vibrio vulnificus varia entre 150 e 200 casos. No entanto, dados recentes indicam um crescimento expressivo: entre 1988 e 2018, as infecções de feridas por essa bactéria aumentaram oito vezes no leste do país.
Atualmente, a distribuição de casos em estados americanos revela a seguinte situação:
- Maryland: 72 casos registrados até o fim de junho.
- Flórida: 14 casos, com duas mortes.
- Louisiana: nove casos, com cinco mortes.
O aumento de furacões e marés de tempestade, também ligados às mudanças climáticas, tem intensificado o contato humano com águas contaminadas, elevando os picos de infecção.
Formas de contágio e grupos de risco
A transmissão ocorre principalmente entre maio e outubro, nos meses de maior calor. A bactéria penetra no organismo através de feridas abertas ou lesões cutâneas durante a natação, a pesca ou o contato com águas costeiras. Outra via de contágio é o consumo de frutos do mar crus ou malcozidos, especialmente moluscos como as ostras, que podem estar contaminados. O manuseio desses alimentos por pessoas com cortes na pele também representa um risco direto de contrair a fasciíte necrosante.
Embora a doença seja rara, a vulnerabilidade é maior em grupos específicos, como:
- Idosos;
- Pessoas com diabetes;
- Pacientes com doenças hepáticas, câncer ou HIV;
- Indivíduos que utilizam medicamentos imunossupressores.
Sintomas e protocolos de tratamento
Os sinais iniciais de alerta incluem dor intensa, inchaço, vermelhidão e febre no local da lesão. Com a evolução do quadro, podem surgir bolhas, pus, úlceras e alterações na coloração da pele.
O tratamento é considerado uma corrida contra o tempo e envolve a administração de antibióticos intravenosos. Em situações críticas, é necessária a remoção cirúrgica do tecido danificado para conter a propagação da bactéria, o que pode resultar na amputação de membros. Um fator de preocupação para a medicina é a crescente resistência da Vibrio vulnificus a determinados antibióticos.
Medidas de prevenção
Para evitar a infecção, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) recomendam:
- Evitar o contato com águas marinhas ou salobras se houver cortes recentes, incluindo tatuagens ou piercings.
- Utilizar curativos impermeáveis para cobrir qualquer lesão, já que arranhões mínimos ou cortes causados por lâminas de depilação são portas de entrada para a bactéria.
- Não manusear peixes ou frutos do mar crus se possuir feridas abertas.
- Lavar imediatamente com água e sabão qualquer corte ocorrido durante a natação ou o preparo de alimentos marítimos.