Atividades físicas incidentais ajudam a reduzir riscos à saúde causados pelo sedentarismo
A atividade física incidental, composta por movimentos cotidianos, reduz riscos de doenças cardiovasculares e morte prematura. Balançar as pernas pode elevar o gasto energético em 16%, enquanto quatro minutos diários de atividades breves compensam perigos de quem fica sentado por mais de 11 horas
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/l/5/DXr58WSMCvMnlVAGRWrA/imagem-cortada-43-.jpg)
A prática de atividades físicas não planejadas, conhecida tecnicamente como non-exercise activity thermogenesis (NEAT) ou atividade física incidental, tem se mostrado uma estratégia eficaz para mitigar os riscos à saúde causados pelo sedentarismo. Esse conceito abrange a energia gasta em tarefas cotidianas que não incluem dormir, comer ou a prática deliberada de esportes, englobando desde movimentos sutis até tarefas domésticas.
De acordo com Anantha Narayanan, pesquisador da Universidade de Tecnologia de Auckland, na Nova Zelândia, gestos simples como girar os ombros, flexionar os pés, mudar de postura ou lavar a louça são exemplos de movimentos incidentais. Essas ações auxiliam na queima de calorias, reduzem a probabilidade de doenças cardiovasculares e podem diminuir o risco de morte prematura.
O impacto do movimento contra a inatividade
A permanência prolongada na posição sentada deixa a musculatura das pernas inativa, o que prejudica a circulação sanguínea e a eliminação de glicose do organismo. Nesse cenário, a inquietação motora — como o hábito de balançar as pernas — surge como uma alternativa viável para quem passa longos períodos em mesas de trabalho ou voos.
Estudos indicam que esse tipo de movimentação aumenta a atividade muscular e a função dos vasos sanguíneos, melhorando o controle do açúcar no sangue. Um levantamento específico revelou que balançar as pernas pode elevar o gasto energético em cerca de 16% quando comparado ao estado de repouso absoluto.
Benefícios de curtos períodos de atividade
A redução dos riscos associados ao comportamento sedentário não exige necessariamente a matrícula em academias ou a reserva de longos horários na agenda. Um estudo de 2024, que acompanhou mais de 22 mil participantes no Reino Unido durante oito anos, demonstrou que apenas quatro minutos diários de breves explosões de atividade (com duração inferior a um minuto cada) podem compensar os perigos cardiovasculares de quem permanece sentado por mais de 11 horas por dia.
Nicholas Koemel, pesquisador sênior da Universidade Monash, na Austrália, destaca que a intensidade dessas ações pode ser aumentada com ajustes simples, como:
- Subir escadas;
- Carregar sacolas de compras pesadas;
- Brincar com crianças;
- Caminhar em ritmo acelerado;
- Estacionar o veículo mais longe do destino ou utilizar cestas em vez de carrinhos de compra.
Integração de hábitos na rotina
A professora de medicina comportamental da Universidade de Loughborough, Amanda Daley, sugere a estratégia de "aproveitar" atividades já existentes para inserir o movimento. Exemplos incluem realizar elevações de panturrilha ao escovar os dentes, fazer elevações de perna sob a mesa ou caminhar durante chamadas telefônicas.
No ambiente profissional, a implementação de mesas de trabalho em pé para médicos resultou em uma redução de aproximadamente duas horas diárias de tempo sedentário, além de estimular a conscientização dos pacientes sobre a importância de se movimentar.
A transição para um estilo de vida menos sedentário torna-se mais sustentável quando as abordagens são menos intimidantes. Ao transformar a atividade física ocasional em parte integrante da rotina, os benefícios para a saúde tornam-se mais significativos e permanentes ao longo do tempo.