Aumento no consumo de cetamina entre jovens gera alerta para sistemas de saúde no Reino Unido
O consumo ilegal de cetamina entre jovens cresceu no Reino Unido, onde a clínica Birchwood registrou a subida de 2 pacientes em 2021 para 112 em 2024. A substância causa danos como insuficiência renal e lesões na bexiga, sendo detectada em 23% das amostras de festas em três estados brasileiros
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O aumento expressivo no consumo ilegal de cetamina entre jovens tem gerado um alerta para os sistemas de saúde, especialmente no Reino Unido, devido à rapidez com que a substância provoca danos severos ao organismo. A droga, utilizada legalmente como anestésico dissociativo na medicina humana e veterinária, tem causado sequelas físicas graves em pacientes cada vez mais novos, exigindo a adaptação de protocolos de reabilitação.
Impactos na saúde e riscos do consumo
O uso contínuo e intenso da substância provoca deteriorações físicas mais aceleradas do que as observadas no consumo de álcool ou de drogas de alto risco. Entre as complicações mais comuns estão lesões na bexiga, insuficiência renal, dores crônicas e comprometimento da memória.
Casos relatados em clínicas de reabilitação exemplificam a gravidade do quadro:
- Pacientes com perda de controle urinário, necessitando do uso de absorventes e fraldas.
- Relatos de eliminação de coágulos sanguíneos pela urina.
- Deformações nasais decorrentes do uso por via nasal, impactando a autoestima dos usuários.
- Sensação de envelhecimento precoce do corpo, com dores físicas intensas.
Cenário de dependência e reabilitação
A clínica Birchwood, da entidade Kaleidoscope, registrou um salto drástico na demanda por desintoxicação. Enquanto em 2021 apenas duas pessoas foram encaminhadas para tratamento, em 2024 o número já atingiu 112 pacientes, com a maioria na faixa etária entre 18 e 24 anos. Atualmente, metade dos pacientes da unidade busca ajuda para problemas relacionados à cetamina.
Fatores como o baixo custo da droga e a facilidade de obtenção, intensificados durante o isolamento da pandemia de Covid-19, contribuíram para a expansão do consumo. Alguns usuários relatam ter iniciado o uso ainda na escola, por volta dos 13 anos, utilizando a substância para mascarar sintomas de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e transtorno de personalidade borderline.
Panorama legal e estatístico
No Reino Unido, a substância é classificada como droga da classe B, tornando ilegais a fabricação, venda e posse fora de condições autorizadas. Estima-se que cerca de 264 mil pessoas entre 16 e 59 anos tenham consumido a droga ilegalmente entre 2024 e 2025, com um aumento de 12 vezes na procura por tratamento em uma década.
No Brasil, a cetamina e a escetamina possuem controle especial e uso restrito a estabelecimentos de saúde. A Anvisa aprovou, em 2020, o uso do spray nasal de escetamina associado a antidepressivos orais especificamente para o tratamento de depressão resistente. Fora dessas indicações, a legislação brasileira prevê sanções penais.
Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam a presença da substância em 23% das amostras coletadas em festas e festivais em São Paulo, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul, em estudo realizado entre 2023 e 2025.
Desafios no atendimento médico
Pesquisas da Universidade do Sul do País de Gales apontam que os serviços de saúde tradicionais, voltados para adultos, não estão preparados para a complexidade dos casos juvenis. Há uma dificuldade no diagnóstico precoce, pois profissionais de saúde nem sempre associam os sintomas clínicos ao uso de cetamina.
Além disso, a ciência ainda busca a melhor forma de tratamento, já que as recaídas são frequentes e os danos à saúde tendem a reaparecer com maior velocidade após a retomada do consumo. Como estratégia de recuperação, a Kaleidoscope tem implementado o apoio de pessoas que já superaram a dependência, eliminando preconceitos e auxiliando na reintegração social dos pacientes.