Austrália confirma a chegada da gripe aviária H5 e o vírus agora está em todos os continentes
A Austrália confirmou a presença da gripe aviária H5 após a detecção do vírus em um pato pardu em parque nacional. Um petrel gigante também apresentou resultado positivo em testes iniciais. O registro marca a expansão do vírus por todos os continentes
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A Austrália confirmou a chegada da gripe aviária H5 após a detecção do vírus em um pato pardu, localizado em uma área isolada de um parque nacional próximo a Esperance. A análise foi realizada pelo Australian Centre for Disease Preparedness, órgão vinculado ao CSIRO. Outro animal, um petrel gigante, apresentou resultado positivo em testes iniciais e aguarda a confirmação definitiva.
Com esse registro, o vírus completa sua expansão por todos os continentes. Embora não tenham sido reportadas mortes em massa ou contaminações em aves de criação até o momento, a presença da cepa altamente patogênica no último grande território que permanecia livre do agente obriga o reforço na vigilância de aves migratórias, fauna selvagem e espécies carnívoras.
A preocupação científica se estende a animais não aviários, dado que o H5N1 pode apresentar comportamentos atípicos. Um estudo publicado na Science Advances detalhou a experiência de 2024 com gado leiteiro nos Estados Unidos, onde o vírus permaneceu oculto por semanas. Naquela ocasião, a infecção não se manifestou como uma doença respiratória, mas como mastite grave nas úberas das vacas, o que levou veterinários a buscarem inicialmente por patógenos bacterianos antes de identificarem a gripe aviária como a causa. O Dr. Suresh Kuchipudi, autor da pesquisa, destacou que a possibilidade de o gado atuar como hospedeiro para o H5N1 não havia sido considerada anteriormente.
Na Austrália, a professora Robin Alders, da Australian National University, ressalta que esta cepa difere de versões da gripe aviária já manejadas pelo país, possuindo a capacidade de afetar um espectro maior de espécies. Por isso, o monitoramento prioritário recai sobre mamíferos que mantenham contato com secreções contaminadas ou carcaças de aves.
As autoridades locais classificam o risco para a população geral como baixo, visto que a infecção humana é rara e depende de contato próximo com animais doentes. O consumo de carne e ovos de aves permanece seguro, desde que respeitadas as normas de manuseio e cozimento.
Para conter a disseminação, a orientação é não tocar em animais mortos ou doentes e notificar imediatamente as autoridades sobre qualquer ocorrência. A Dra. Michelle Wille, do Doherty Institute, enfatiza que a detecção precoce é fundamental, lembrando que a cepa causou episódios catastróficos de mortalidade na fauna selvagem em regiões onde surgiu.