Saúde

Baixas temperaturas podem elevar em até 30% a incidência de infartos, segundo o INC

20 de Junho de 2026 às 06:07

Temperaturas abaixo de 14°C elevam em até 30% os casos de infarto e em 20% os de AVC, segundo o Instituto Nacional de Cardiologia. O risco aumenta devido à vasoconstrição, desidratação e inflamações respiratórias, afetando principalmente idosos e pessoas com doenças crônicas. A prevenção inclui hidratação, atividade física, vacinação e manutenção de tratamentos médicos

Baixas temperaturas podem elevar em até 30% a incidência de infartos, segundo o INC
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A queda nas temperaturas aumenta a vulnerabilidade do sistema cardiovascular, elevando a incidência de infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVC). Dados do Instituto Nacional de Cardiologia (INC) indicam que, em dias com termômetros abaixo de 14°C, os casos de infarto podem subir até 30%, enquanto os registros de AVC podem crescer 20%.

Essa maior incidência ocorre porque o organismo ativa mecanismos para preservar o calor, o que sobrecarrega o coração. Um dos principais processos é a vasoconstrição — o estreitamento dos vasos sanguíneos —, que eleva a pressão arterial e exige maior esforço do músculo cardíaco para bombear o sangue, podendo também aumentar a frequência cardíaca.

O frio impacta a composição sanguínea devido à redução da sensação de sede, o que leva à desidratação e à hemoconcentração. Com o sangue mais viscoso, cresce a probabilidade de formação de coágulos que podem obstruir vasos e desencadear eventos graves. Além disso, as baixas temperaturas podem instabilizar placas de gordura nas artérias, facilitando rompimentos que causam obstruções.

Fatores comportamentais típicos do inverno agravam esse cenário. A redução da atividade física, o aumento do sedentarismo, a menor ingestão de água e a preferência por alimentos mais calóricos e gordurosos somam-se às alterações fisiológicas.

Infecções respiratórias comuns na estação também representam um risco. O estado inflamatório causado por vírus pode favorecer a progressão de placas de gordura. Um estudo de 2018, publicado no The New England Journal of Medicine, apontou que a síndrome gripal pode elevar em até seis vezes o risco de ataque cardíaco devido à inflamação e à formação de coágulos.

Evidências internacionais corroboram essa relação. Uma pesquisa de 2024 no Journal of the American College of Cardiology, com mais de 120 mil casos na Suécia entre 2005 e 2019, associou ondas de frio e exposições térmicas curtas ao aumento de hospitalizações por infarto. De forma semelhante, um levantamento de 2025 no European Heart Journal analisou mais de 1,5 milhão de casos na China entre 2015 e 2021, confirmando o risco aumentado em temperaturas baixas.

A vulnerabilidade é maior em grupos específicos, como idosos, tabagistas, obesos, diabéticos, pessoas com colesterol elevado, hipertensos e pacientes com histórico de doenças cardíacas. Como a pressão arterial pode subir mesmo em quem mantém a condição controlada, a manutenção rigorosa da medicação prescrita é fundamental durante o inverno.

O reconhecimento rápido dos sintomas é decisivo. Sinais de infarto incluem dor, pressão ou queimação no peito, que podem irradiar para a mandíbula, costas ou braços, além de falta de ar, suor frio, palidez, náuseas e dor no estômago. Já o AVC manifesta-se por confusão mental, dificuldade na fala, tontura, perda de equilíbrio, alterações visuais, dor de cabeça súbita e assimetria facial ou fraqueza em um lado do corpo.

Para identificar um AVC, recomenda-se observar se a pessoa consegue sorrir sem que um lado do rosto permaneça imóvel, se consegue levantar ambos os braços e se consegue falar uma frase simples sem enrolar as palavras. Nesses casos, o acionamento imediato do Samu (192) é essencial para reduzir danos.

A prevenção é a estratégia mais eficaz, podendo evitar até 80% dos casos de AVC. As orientações incluem manter o corpo aquecido com roupas adequadas e proteção nas extremidades, hidratar-se com água ou chás mornos e manter a rotina de exercícios, preferindo horários menos frios. Também é recomendável a moderação no uso de álcool e tabaco, a continuidade dos tratamentos médicos e a atualização das vacinas contra Covid-19, influenza e pneumococo.

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