Saúde

Brasil confirma quatro casos de Febre do Nilo Ocidental em São Paulo e Santa Catarina

27 de Agosto de 2026 às 06:05 3 min de leitura

Brasil confirmou quatro casos de Febre do Nilo Ocidental em humanos este mês, com dois registros em São Paulo e dois em Santa Catarina. Há um caso suspeito no Piauí e uma morte em investigação em Imbituba. O Ministério da Saúde monitora a situação para identificar a origem das infecções

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Brasil confirma quatro casos de Febre do Nilo Ocidental em São Paulo e Santa Catarina
Getty Images via BBC

O Brasil registrou a confirmação de quatro casos de Febre do Nilo Ocidental em humanos neste mês, distribuídos entre os estados de São Paulo e Santa Catarina, com dois registros em cada localidade. Além disso, as autoridades de saúde investigam um caso suspeito no Piauí. Em Santa Catarina, uma paciente de 77 anos, residente de Imbituba, faleceu, e as investigações trabalham para determinar se a infecção viral foi a causa do óbito.

Panorama dos casos registrados

No estado de São Paulo, a doença foi detectada pela primeira vez em humanos. Os casos ocorreram em Ribeirão Preto, envolvendo uma mulher de 34 anos com histórico de viagem à região amazônica (já recuperada), e em São José do Rio Preto, onde uma adolescente de 18 anos permanece internada.

Já em Santa Catarina, além do óbito em Imbituba, foi confirmado um caso em Caçador, envolvendo um homem de 56 anos que já recebeu alta hospitalar. O Ministério da Saúde, junto a órgãos estaduais e municipais, monitora a situação para identificar possíveis áreas de transmissão e a origem das infecções, considerando que a mobilidade entre estados pode influenciar o local do contágio.

O vírus e a forma de transmissão

A Febre do Nilo Ocidental é causada por um flavivírus (mesma família da dengue, zika e febre amarela), identificado originalmente em 1937, em Uganda. A transmissão ocorre principalmente por meio da picada de mosquitos do gênero Culex (pernilongos comuns), que contraem o vírus ao se alimentarem de aves silvestres infectadas.

Nesse ciclo, aves e insetos são os hospedeiros principais, enquanto seres humanos e equídeos são considerados hospedeiros acidentais. A transmissão entre pessoas é extremamente rara, podendo ocorrer apenas via transfusão sanguínea, transplante de órgãos ou de mãe para filho durante a gestação, não havendo circulação comunitária por contato físico.

Sintomas e diagnóstico

A maioria das infecções (cerca de 80%) é assintomática ou apresenta sintomas leves. Estima-se que apenas 20% dos infectados desenvolvam manifestações clínicas, que geralmente incluem:

  • Febre;
  • Mal-estar;
  • Dores musculares e articulares;
  • Náuseas.

Devido à semelhança com outras arboviroses, o diagnóstico inicial pode ser complexo. A identificação do vírus é feita por testes de anticorpos ou RT-PCR, embora possam ocorrer reações cruzadas em exames de dengue ou zika.

Em menos de 1% dos casos, a doença evolui para formas neuroinvasivas graves, como a encefalite. Nesses quadros, o risco de óbito sobe para 10%. Grupos de maior risco incluem idosos e pessoas imunossuprimidas, como pacientes em quimioterapia ou transplantados.

Histórico no Brasil e tratamento

O vírus foi detectado pela primeira vez nas Américas em 1999, em Nova York. No Brasil, os primeiros indícios surgiram em 2009, em animais no Pantanal, e o primeiro caso humano foi registrado em 2014, no Piauí. Em 2018, o vírus foi isolado em um cavalo no Espírito Santo.

Atualmente, não existe vacina ou tratamento antiviral específico para a doença. A conduta médica baseia-se em medidas de suporte, como a hidratação e o controle dos sintomas.

Prevenção e controle

A prevenção da Febre do Nilo Ocidental baseia-se no controle de criadouros de mosquitos e na proteção individual. As orientações incluem:

  • Uso de repelentes e telas em portas e janelas;
  • Utilização de roupas que protejam a pele;
  • Evitar a exposição a mosquitos entre o entardecer e o amanhecer;
  • Eliminar recipientes que acumulem água e evitar o descarte de lixo em valetas ou margens de rios;
  • Não manusear animais encontrados mortos.

A eficácia dessas medidas depende da combinação de ações individuais com políticas públicas de saneamento básico e coleta de lixo, o que também auxilia no combate ao Aedes aegypti.

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