Brasil deve registrar anualmente 12.560 novos casos de linfoma não Hodgkin até 2028
O Inca projeta 12.560 novos casos anuais de linfoma não Hodgkin no Brasil entre 2026 e 2028, com maior incidência em homens e nas regiões Sul e Sudeste. Em 2023, a doença causou 4.860 óbitos no país
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O Brasil deve registrar anualmente 12.560 novos casos de linfoma não Hodgkin entre 2026 e 2028, conforme projeções do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A patologia, que afeta o sistema linfático — rede responsável pelas defesas do organismo —, ocupa a 11ª posição entre os tipos de câncer mais incidentes no país, excluindo-se os tumores de pele não melanoma.
A incidência da doença é maior entre homens e tende a crescer com o avanço da idade. No triênio estimado, a previsão é de 6.580 novos diagnósticos na população masculina (52,4%) e 5.980 entre as mulheres (47,6%). Em termos de taxa, a estimativa é de 5,87 novos casos a cada 100 mil habitantes, sendo 6,30 para homens e 5,45 para mulheres.
Distribuição regional e mortalidade
A ocorrência do câncer linfático não é uniforme no território brasileiro, concentrando-se com maior intensidade nas regiões Sul e Sudeste. No Sul, a doença lidera as taxas de incidência em ambos os sexos, posicionando-se como o 8º câncer mais comum entre mulheres e o 10º entre homens. No Centro-Oeste, a patologia ocupa a 10ª posição na população masculina.
Em relação à mortalidade, dados de 2023 apontam que o Brasil registrou 4.860 óbitos por linfoma não Hodgkin, dos quais 2.670 foram homens e 2.190 mulheres. As taxas de mortalidade foram de 2,59 por 100 mil homens e 2,02 por 100 mil mulheres.
Natureza e causas da doença
O termo linfoma não Hodgkin não se refere a uma única enfermidade, mas a um grupo heterogêneo de mais de 50 tipos de neoplasias. Essas células cancerígenas surgem quando há uma multiplicação descontrolada no sistema linfático, podendo se manifestar em órgãos linfáticos, tecidos ou nos linfonodos (gânglios linfáticos).
A diversidade biológica do grupo explica a variação no comportamento da doença: enquanto alguns subtipos evoluem lentamente, outros são mais agressivos. A maioria dos casos envolve os linfomas de células B (como o folicular e o difuso de grandes células B), havendo também formas menos comuns ligadas a células T ou células NK.
O desenvolvimento desses tumores pode estar vinculado a fatores como:
- Infecção pelo HIV e doenças autoimunes;
- Alterações hereditárias da imunidade;
- Uso prolongado de imunossupressores após transplantes de órgãos;
- Exposição a radiações ionizantes e substâncias químicas (benzeno, solventes orgânicos e pesticidas).
Sintomas e diagnóstico
O sinal mais característico é o surgimento de caroços ou ínguas no pescoço, axilas e virilha. Outras manifestações incluem cansaço, fraqueza, febre, perda de peso, tosse, coceira na pele e suor noturno.
Para diferenciar o linfoma não Hodgkin do linfoma de Hodgkin, é necessária a realização de uma biópsia. Enquanto o tipo de Hodgkin apresenta as células de Reed-Sternberg e possui uma disseminação mais previsível entre linfonodos, o não Hodgkin é mais amplo e pode atingir órgãos fora do sistema linfático com maior frequência.
Tratamento e perspectivas de cura
As opções terapêuticas variam conforme o subtipo e a extensão da doença, incluindo quimioterapia, radioterapia, imunoterapia, transplante de medula óssea, terapias-alvo e a técnica CAR T-cell.
De acordo com a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), a média de cura situa-se entre 60% e 70%. O prognóstico é influenciado pela condição clínica do paciente — sendo que jovens ou pessoas com menos comorbidades toleram terapias mais intensas — e pelo intervalo entre o tratamento inicial e uma eventual recaída.
Panorama global e caso recente
Em escala mundial, a doença ocupa a 10ª posição entre os cânceres mais incidentes. Em 2022, estimaram-se 553 mil novos casos globalmente, representando 2,8% de todos os diagnósticos de câncer, com as maiores taxas registradas na Europa, Austrália, Nova Zelândia e América do Norte.
Recentemente, a morte do cantor Netinho, de 59 anos, trouxe visibilidade ao tema. O artista iniciou o tratamento em março de 2025, alcançando a remissão no mesmo ano. Em maio de 2026, informou o retorno da doença de forma mais agressiva. Após uma alta médica em junho, Netinho foi reinternado no Hospital Aliança Star, em Salvador, para focar em sua recuperação.