Brasil registra alta nos casos de Covid-19 em 19 estados nas últimas seis semanas
O Brasil apresenta alta nos casos de Covid-19 em 19 estados, com 118.851 notificações desde o início de 2026 até 4 de novembro. Até 31 de outubro, foram registradas 3.479 hospitalizações por SRAG e 437 óbitos. A linhagem XFG representa cerca de 90% das amostras sequenciadas
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O Brasil registra uma tendência de alta nos casos de Covid-19 nas últimas seis semanas, com a expansão do vírus identificada em 19 unidades da Federação. O crescimento atinge todas as faixas etárias, desde crianças até idosos, e abrange as cinco regiões do país.
Distribuição regional e indicadores de circulação
A análise do Ministério da Saúde, que considerou as notificações até o período de 25 a 31 de outubro, aponta a circulação do vírus nos seguintes estados:
- Norte: Rondônia e Roraima.
- Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Piauí.
- Centro-Oeste: Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso.
- Sudeste: Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
- Sul: Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Além das notificações, a taxa de positividade em laboratórios privados — que mede a proporção de testes positivos em relação ao total de exames realizados — apresenta crescimento consecutivo há nove semanas. No total, o Brasil contabilizou 118.851 casos notificados de síndrome gripal por Covid-19 desde o início de 2026 até 4 de novembro, embora esse número não represente a totalidade das infecções, devido a diagnósticos não notificados.
Impacto nas hospitalizações e gravidade
O avanço da circulação viral reflete-se no aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que podem exigir internação. De acordo com a Fiocruz, sinais de crescimento de quadros graves foram detectados no Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo. No Mato Grosso, o coronavírus é a principal causa da alta de SRAG.
Até 31 de outubro de 2026, o país registrou 3.479 hospitalizações por SRAG com detecção de SARS-CoV-2 e 437 óbitos. No entanto, a Fiocruz indica que a incidência de casos graves permanece baixa em todas as idades e que o total de internações por doenças respiratórias no Brasil apresenta tendência de queda. Nas últimas quatro semanas, o vírus foi identificado em 8,5% dos casos graves com resultado positivo para vírus respiratórios e em 24,1% dos óbitos desse grupo.
Variantes e comportamento viral
O monitoramento genético realizado via plataforma Gisaid identificou 127 linhagens diferentes de SARS-CoV-2 em 2.199 sequenciamentos feitos até a semana epidemiológica 42 de 2026. Cerca de 90% dessas amostras pertencem à linhagem XFG ou suas descendentes.
O infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que esse movimento é típico de vírus respiratórios, como o rinovírus, a influenza e o vírus sincicial respiratório (VSR), que alternam períodos de circulação. O surgimento de novas variantes e a presença de pessoas suscetíveis favorecem a formação de ondas periódicas. Segundo o médico, não há evidências de que a alta recente esteja ligada a uma mudança na gravidade da doença ou que as variantes atuais sejam mais agressivas.
Grupos de risco e prevenção
Embora a atividade da doença seja classificada como de baixo risco em todos os estados, a vacinação continua sendo a medida prioritária, especialmente para grupos vulneráveis. O risco de complicações é maior para:
- Idosos: Recomendação de doses semestrais para quem tem 60 anos ou mais.
- Gestantes: Vacinação a cada gravidez.
- Crianças pequenas: Esquemas de duas ou três doses, dependendo do imunizante.
- Imunocomprometidos e pessoas com comorbidades: Doses periódicas e recomendações específicas.
Dados do InfoGripe indicam que a incidência de síndromes respiratórias graves é mais alta em crianças com menos de 2 anos, enquanto a mortalidade por SRAG é predominante na população acima de 65 anos. A orientação é que pessoas com sintomas respiratórios evitem a transmissão, principalmente para indivíduos vulneráveis, e busquem assistência médica em caso de agravamento.