Saúde

Brasil registra aumento no número de fumantes adultos entre 2023 e 2024

23 de Agosto de 2026 às 06:01

O câncer de pulmão causa mais de 30 mil óbitos anuais no Brasil, sendo o tabagismo o principal fator de risco. A prevalência de fumantes adultos subiu para 11,7% em 2024, gerando um gasto anual de R$ 98 bilhões ao SUS. O Ministério da Saúde oferece tratamento gratuito nas UBS para combater a dependência

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O câncer de pulmão é a neoplasia que causa o maior número de óbitos no Brasil, com mais de 30 mil mortes anuais. A doença caracteriza-se por ser silenciosa, resultando em um cenário onde 80% dos diagnósticos ocorrem apenas em estágios avançados. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o tabagismo é o principal fator de risco para o desenvolvimento da patologia e para o óbito subsequente.

Um levantamento do Inca revela que a probabilidade de morte por câncer de pulmão pode ser até 30 vezes superior em fumantes do que em pessoas que nunca utilizaram tabaco. Esse risco é variável conforme o sexo e a idade, apresentando um crescimento acentuado após os 45 anos. No grupo de fumantes entre 65 e 74 anos, a disparidade de mortalidade atinge o pico de 30 vezes.

Aumento do tabagismo e impacto na saúde pública

Após quase duas décadas de declínio, o Brasil registra um novo crescimento no número de fumantes. Dados do Vigitel indicam que a prevalência do hábito na população adulta subiu de 9,3% em 2023 para 11,7% em 2024. É importante destacar que a classificação de tabagista abrange qualquer indivíduo que utilize produtos derivados do tabaco por um período mínimo de 12 meses, independentemente da frequência de uso.

Esse cenário gera um impacto financeiro severo aos cofres públicos. O Sistema Único de Saúde (SUS) despende anualmente R$ 98 bilhões no tratamento de enfermidades ligadas ao cigarro. A arrecadação de impostos do setor do fumo supre apenas 5% desse montante, o que significa que, para cada R$ 1 arrecadado, o governo gasta R$ 5 com tratamentos e perdas de produtividade por incapacidade ou morte prematura. Em termos humanos, o vício em nicotina provoca a morte de 477 pessoas diariamente no país.

Tratamento gratuito e apoio à cessação

Para combater a dependência, o Ministério da Saúde disponibiliza tratamento gratuito nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). A assistência inclui:

  • Acompanhamento individual ou em grupos;
  • Orientações para manejo da dependência;
  • Uso de medicamentos para mitigar a abstinência (como bupropiona, gomas e adesivos de nicotina), quando houver indicação profissional.

A procura por esse suporte no SUS cresceu drasticamente na última década, saltando de 351.832 atendimentos em 2015 para 2.510.509 em 2025. Paralelamente ao sistema público, redes sociais têm sido utilizadas por dependentes para compartilhar diários de recuperação, relatando sintomas e progressos, o que serve de estímulo para outros pacientes.

Um exemplo desse processo é o de Bryan Dutra, de 32 anos. Após 12 anos de vício iniciado na faculdade, ele conseguiu parar de fumar há dez meses. O processo, descrito como uma luta diária contra a instabilidade emocional e dores de cabeça, foi viabilizado por meio de apoio mútuo via aplicativos e a identificação com relatos de outras pessoas em redes sociais.

Política de preços e controle do consumo

O Brasil possui atualmente o terceiro menor preço de cigarro da América do Sul. O governo federal elevou o preço mínimo do produto de R$ 6,50 para R$ 7,50 este ano. No entanto, houve um hiato na política de reajustes anuais acima da inflação entre 2017 e 2023, período em que o valor permaneceu congelado em R$ 5.

Caso a política de reajustes tivesse sido mantida rigorosamente, o valor mínimo do cigarro estaria estimado em R$ 10. A ausência dessa progressão é apontada como um fator que contribui para a retomada do crescimento do número de fumantes no território nacional.

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